Encruzilhada no Sporting

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A estrutura do Sporting — que ainda não existe e tenta adaptar-se aos efeitos do turbilhão que constituiu a entrada de Jorge Jesus em Alvalade — está cheia de nós e, para os desatar, vai ser necessário um trabalho de muita paciência e, como se sabe, paciência é uma coisa que, historicamente, em termos de consolidação de estruturas e meios, não abunda em Alvalade desde os tempos de João Rocha.

Com quatro jornadas da Liga realizadas e três jogos disputados fora de ‘casa’, o Sporting encontra-se no topo da classificação e, no final da jornada 5, considerando que existem três candidatos ao título e um FC Porto-Benfica este domingo no Dragão, a situação desportiva dos ‘leões’ até pode ficar ainda mais desanuviada. Mas, para isso, necessita de vencer na segunda-feira o Nacional e, como aconteceu na época passada com Marco Silva, o calcanhar de Aquiles deste Sporting de Jorge Jesus começa a revelar-se: os jogos disputados em Alvalade, entre os quais se destacam, precisamente, os dois pontos perdidos para o Paços de Ferreira e esta derrota com o Lokomotiv Moscovo, no arranque da Liga Europa, depois do desaire (duríssimo) que constituiu o falhanço da entrada na fase de grupos da Champions. É, pois, preciso perceber por que razão o Sporting não consegue aproveitar o ‘factor-casa’…

Quer isto dizer que as ondas de choque provocadas pelas alterações organizacionais promovidas em Alvalade, com a decisão de Bruno de Carvalho em contratar Jorge Jesus para ser não apenas o treinador da equipa principal mas o ‘cérebro’ do futebol sportinguista, não conhecerão impacto negativo e ambiente de pré-ruptura enquanto o Sporting se mantiver no comando do campeonato. Se isso deixar de acontecer e se porventura a equipa e o plantel começarem a dar sinais de que não são capazes de suportar a concorrência de Benfica e FC Porto, cada qual também com os seus problemas internos, o Sporting entrará num corredor escuro, cuja travessia poderá ter consequências absolutamente dramáticas…

Como sempre, no futebol, os resultados mandam. E se o Sporting não conseguir resultados, principalmente no campeonato, o projecto é posto em causa, serão Bruno de Carvalho e Jorge Jesus na berlinda… ‘e tudo o vento levou’.

É só nesse plano que se pode entender a obsessão de Jorge Jesus em capitalizar todos os recursos do plantel para o campeonato. Já era assim no Benfica. É assim, também, no Sporting, com a agravante de — em Alvalade — se estar a lutar por um título que foge aos leões há 14 temporadas. A decisão voluntária de reduzir, desportivamente, a importância da estreia do Sporting na presente edição da Liga Europa teve consequências brutais neste jogo de quinta-feira com o Lokomotiv Moscovo, que não passa de uma equipa razoável e não é, definitivamente, um papão. A escolha do onze e o próprio reconhecimento público de Jesus de que as alterações profundas na equipa-base "foram a pensar no campeonato" já podiam explicar muito do que (não) se viu sobre o relvado de Alvalade. Mas se acrescentarmos os efeitos decorrentes da forma como o Sporting geriu o caso Carrillo — assumindo a sua exclusão — mais se percebe a ideia de fragilidade que os leões deixaram passar ao longo de quase todo o jogo. E a conclusão principal, para além da forma quase desleixada como a equipa e o treinador abordaram o embate com os russos, quase dizendo "ganhem lá isso que a gente não se importa", é que o Sporting, depois de tantas tentativas, ainda não resolveu o seu problema central: a defesa. Tem bons médios e avançados, mas a defesa continua a ser medíocre, como atesta a profusão de golos sofridos pela equipa leonina – consequência das debilidades do processo colectivo, mas também das insuficiências individuais dos jogadores do sector mais recuado. Quando se capta a sensação de que o melhor central do plantel é Ewerton… parece estar tudo dito.

Parece evidente que a decisão de Jorge Jesus em deixar Carrillo de fora, no meio (ou no fim?!) de uma negociação difícil com o seu representante, entronca na desvalorização assumida deste jogo com o Lokomotiv. Se na quinta-feira o calendário indicasse, por absurdo, um Sporting-Benfica ou um Sporting-FC Porto para o campeonato, a decisão seria a mesma?… As declarações de Jorge Jesus, no final do jogo, sobre a exclusão do peruano causaram alguma polémica, mas ao dizer que se tratou de uma decisão exclusivamente desportiva não estaria ele a querer dizer que a decisão foi dele e só dele, independentemente daquilo que for o sentimento e o desfecho ditado pela Administração?…

JARDIM DE ESTRELAS

FC Porto-Benfica – Empate? Não!

Nesta deslocação ao Dragão, e considerando o aperto que se sente neste campeonato, com nenhum dos candidatos ao título a exibir uma ‘saúde de ferro’, o Benfica vai querer evitar a derrota. Ninguém pode assegurar que o Sporting ganhará o jogo de segunda-feira com o Nacional, mas se isso acontecer os leões serão sempre os principais beneficiários desta jornada 5, porque podem ver pelo menos um dos rivais descolar um pouco… Se o Benfica perder no Dragão é certo que ficará a 4 pontos do FC Porto e poderá ficar também a 4 pontos do Sporting, se os leões vencerem o Nacional… Pelo que se poderia inferir que um empate no Dragão seria um bom resultado… Não é bem assim: um empate no Dragão, em caso de vitória em Alvalade, deixará o Sporting isolado no campeonato…

Independentemente das questões pontuais, este FC Porto-Benfica é um bom momento para avaliar a capacidade de resposta das duas equipas: um FC Porto que não tem lidado bem com excesso de soluções e um Benfica que anda à procura de gerar (com resultados) uma bolsa de confiança suficiente para poder afirmar a redefinição do seu projecto desportivo.

O CACTO

A FIFA está podre e o futebol vacila

A segunda figura mais importante da hierarquia da FIFA, o secretário-geral Jérôme Valcke, foi suspenso das suas funções, depois de ter sido acusado de participação num esquema de revenda de bilhetes para o último Mundial no mercado negro. As organizações dos Mundiais, o marketing, as transmissões televisivas, os bilhetes — o dinheiro a jorrar e os homens a ceder. A FIFA está podre e o futebol, como indústria, vacila. À escala mundial.

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