Entendimento é a única opção

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Sem dinheiro não há milagres. O novo presidente do Sporting já percebeu que a negociação com a banca vai ser rija. O clube tem as contas bloqueadas e a margem de manobra muito apertada. Mas aos credores também não restará outra opção que não encontrar uma solução viável para o clube. É que uma hipotética e impensável insolvência do Sporting faria os bancos perderem muitos milhões de euros.

Bruno de Carvalho merece o benefício da dúvida. Poucos dias passaram após as eleições e já surgem vozes críticas. Há que deixar o presidente do Sporting fazer o seu trabalho no sentido de encontrar uma resolução que outros, que estiveram lá bem mais tempo, não conseguiram descortinar. Não foi ele que colocou o clube na situação em que está.

Num jogo de paciência em que ambas as partes vão esgrimindo argumentos e fazendo bluff, como se de uma partida de póquer se tratasse, devedor e credores vão ter de se entender. Sejamos claros: a reestruturação da dívida do Sporting interessa ao clube mas também aos bancos. Para estes é uma questão de reaver o investimento realizado, enquanto que o clube tem de dar resposta a problemas imediatos de tesouraria.

Se o consenso não aparecer, e não surgirem investidores que assegurem os compromissos financeiros do clube, as rescisões por justa causa devido a salários em atraso e o cenário de insolvência tornam-se ameaças reais. Na Escócia, o Glasgow Rangers percorreu este caminho: começou de novo, sem dívidas, na última divisão. Em Portugal, esta opção seria muito difícil de aceitar pelos sportinguistas. Aliás, as últimas eleições realizaram-se para evitar esta situação.

Aauditoria de gestão, prometida por Bruno de Carvalho, será importante para ajudar a perceber o que se fez em Alvalade para levar o clube ao estado em que está. Mas a auditoria por si só não resolve problema algum. É preciso dinheiro, e se este só for conseguido através de financiamento bancário, é natural que a banca, concorde-se ou não, pretenda assegurar algumas condições como a entrada de elementos da sua confiança na administração da SAD.

Acredito que os bancos não querem o fim do Sporting. Isso implicaria a perda de muitos milhões aplicados no clube. Por isso terão de conversar com o presidente dos sportinguistas. Tal como o país em relação à troika, o Sporting precisa de mais tempo para pagar os seus empréstimos. E segundo Bruno de Carvalho, só com esse aval da banca se reunirão condições para a prometida entrada de capitais de investidores privados.

Repito. Bruno de Carvalho merece o benefício da dúvida. Há que lhe dar tempo para negociar com os bancos, cumprir as promessas de trazer investidores para o clube e resolver os problemas de tesouraria. Uma coisa é certa: o Sporting precisa da banca, a não ser que apareça um mecenas das arábias que cubra as necessidades financeiras do clube.

Espera-se que este processo possa ter uma rápida resolução. Só assim o clube poderá preparar a próxima época nas melhores condições. Há entradas e saídas de jogadores por definir, renovações de contratos por acertar e uma Liga em que ainda se luta por uma vaga na Europa.

PS: Compreendo que Bruno de Carvalho tente “pressionar” a banca através da mediatização do caso. A grandeza do Sporting assim o permite e é um trunfo jogado com inteligência. Mais difíceis de compreender são as conferências de imprensa abertas a adeptos. O populismo, sobretudo na atual situação do Sporting, não é o caminho mais indicado.

Surpresa da semana

A percorrer um processo de aprendizagem ainda por terminar, Kelvin foi a grande figura da vitória do FC Porto sobre o Sp. Braga. O brasileiro desbloqueou e desequilibrou, com 2 golos, uma partida que parecia dar em empate. Dono de uma técnica e habilidade invejáveis, Kelvin está a ganhar cultura europeia, sobretudo a nível tático e coletivo. O seu futebol selvagem terá de ser domado. Se “ganhar corpo”, reunirá excelentes características para se tornar num grande jogador. Basta apenas que tenha vontade de aprender e saiba esperar pela sua oportunidade.

Estádios cheios ajudam

Um estádio cheio, com forte apoio do público da casa, pode ser decisivo para o agigantamento de equipa perante um adversário teoricamente superior. Foi o que se viu em Istambul, onde 50 mil fervorosos adeptos puxaram pelo Galatasaray (Terim na foto) na vitória sobre o Real Madrid. O fator casa também ajudou B. Dortmund e Barcelona a encontrar força extra pa-ra chegarem às meias-finais da Champions. Em Portugal, os estádios vão ficando cada vez mais vazios. E que falta fazem os adeptos para ajudar nas vitórias e abrilhantar os espetáculos!

Vários candidatos à Europa

A luta pelos lugares europeus está acesa na Liga. Distanciadas em apenas 4 pontos, há 6 equipas com possibilidade de almejar o acesso à Liga Europa. Apesar de todas as contrariedades, o Sporting parte com favoritismo para esta reta final. Será que vai conseguir? O V. Guimarães, por seu lado, joga em duas frentes, já que também se poderá qualificar através da Taça de Portugal. Entre Estoril, Marítimo, Nacional e Rio Ave, quem está em melhores condições para entrar na disputa? Nesta altura, é difícil fazer apostas...

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