Entre a sorte e o azar
Entre as dezenas de jogadores que todos os anos chegam à Primeira Liga, há sempre quem se destaque dos demais. Reforços a sério que trazem qualidade à competição e se revelam peças importantes para as suas equipas, desportiva e financeiramente. Mas também há o reverso da medalha, quando a aposta num craque acaba por não surtir efeitos. Eis as minhas escolhas, entre revelações e desilusões até ao momento.
Alguns reforços deram excelentes indicadores do que podem valer. Neste plano positivo encontra-se o guardião do Olhanense, o brasileiro Fabiano, que sentou o portista Ventura no banco e está a despertar a cobiça de outros emblemas, face às suas excelentes prestações. O rápido lateral-direito do Sp. Braga, Baiano, estava a ser um dos melhores até se ter lesionado. E na banda esquerda, Insúa pegou de estaca em Alvalade, conferindo um equilíbrio entre estabilidade defensiva e apetência atacante.
Para a zona central, o destaque recai no portista Mangala, diamante por lapidar, que apesar de ter alinhado pouco mostrou enorme potencial no desarme e na velocidade, características também observadas em N’Diaye, do V. Guimarães. Para médio-defensivo a escolha só pode ser Rinaudo, um jogador duro, mas leal, que ocupa bem os espaços, recupera bolas e é um elemento crucial na construção de jogo do Sporting.
Já o benfiquista Witsel não precisou de muito tempo para convencer. Bom recorte técnico, polivalente, forte na pressão defensiva e excelente finalizador. Nas alas, a qualidade do leão Carrillo é indiscutível. O peruano impressiona pela “pedalada” no um contra um e capacidade de “mexer” com um jogo. Só lhe falta marcar mais golos. E Christian Atsu, emprestado pelo FC Porto ao Rio Ave, trabalha com velocidade e golos para fazer do regresso ao Dragão, mais cedo ou mais tarde, uma realidade.
Em Lisboa, estão dois avançados promissores: Van Wolfswinkel e Rodrigo. O holandês é o artilheiro do Sporting e tem tudo para ser uma máquina de golos, precisando de melhorar aspetos como o jogo aéreo e a capacidade de choque. Já o espanhol do Benfica, mais habilidoso, também rima com golos. Podemos estar na presença de dois grandes pontas-de-lança da próxima década. Sissoko (Académica), Nolito (Benfica), Djaniny (U. Leiria) ou Salvador Agra (Olhanense) são outros craques em evidência.
Mas as coisas nem sempre correm bem para alguns jogadores. Que o digam o guardião Eduardo (tapado por Artur no Benfica, em ano de Europeu), o defesa Santiago Arias (os bons indícios no Mundial Sub-20 prometiam utilização no Sporting), o lateral Capdevila (o que levou os encarnados a abdicar de um campeão do Mundo?) e os centrais Rodríguez (as lesões estão a atrasar a afirmação em Alvalade) e Vasco Fernandes (um internacional Sub-21 “encostado” no Beira-Mar).
No meio do terreno, o trinco Matic não mostrou ser mais-valia no Benfica, o médio Defour teve bons apontamentos, mas está longe de corresponder às esperanças e milhões nele depositados pelos portistas, e o leão Luís Aguiar lesionou-se e desertou. O extremo Enzo Pérez, magoado, está por aparecer na Luz, enquanto o pé canhoto de Fran Mérida, com cartel em Espanha, ainda não se viu em Braga.
Por seu lado, o avançado Bojinov, apesar da fama, não tira o proveito de primeira opção no Sporting, e o portista Kléber terá de fazer muito mais para ser titular. Por certo, alguns jogadores vão conseguir redimir a entrada com o pé esquerdo. Vamos ver o que nos trará 2012. Até para o ano.
