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19 março 2015 - 01:19

Entre Belém e o Estoril

Todos sabemos que hoje o futebol não é mais do que um negócio. Mas custa...

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Ter exemplos tão cruéis quanto normais em dias consecutivos custa a engolir. Mesmo não sendo adepto de Estoril ou Belenenses, ainda que simpatize com ambos, calculo que não sejam horas felizes nem para uns, nem para outros. Sabemos que hoje o futebol é pouco mais do que um negócio. Mas é triste ver emblemas tratados como mercadoria. E não vejo Rui Pedro Soares ou Tiago Rodrigues como os maus da fita. São apenas peças da engrenagem. É a força da injusta lei do dinheiro.

O divórcio SAD-Lito era inevitável. Noutros tempos não. Mas hoje, quando os clubes já não dizem nada a quem os gere ou treina, a coisa acaba até por ser normal. Já colocar no presidente da SAD todo o odioso da questão parece pouco sério. É óbvio que não são os superiores interesses do clube que levam à demissão do técnico. Mas Lito sabia o risco que corria criticando o líder da SAD desde o primeiro dia. Acho curioso que seja tão fácil arrasar Rui Pedro Soares quando decide dispensar um treinador que decididamente não está sintonizado com os desejos do presidente, mas se esqueça que foi este homem que impediu o Belenenses de fechar portas ao futebol quando ninguém queria arriscar o seu. E Lito? Pensou no clube? Não. A vidinha de cada um está primeiro. Normal, pois.

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O caso do Estoril é diferente e tão igual. O futebol negócio em todo o seu esplendor. A Traffic, empresa que havia comprado o clube por questões puramente económicas, vende-o pela mesma razão. Sim, os adeptos estavam satisfeitos com presidente e destinos do futebol. Sim os resultados dos últimos anos eram bons. O que mudou? A lei do papel moeda. Amor à camisola, entrega por questão de fé? São coisas antigas. O dinheiro troca de mãos, não tem raça, credo ou cor. E é ele quem manda.

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