Entre o cheque e o adeus

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O caso de José Peseiro - a sua saída ou a sua permanência no Sporting - entrou naquela fase em que todos compreendemos tanto a posição do clube como a do treinador. Se a entidade patronal despede o empregado, tem de passar um cheque e neste caso ele não será pequeno - aconteceu isso com Carlos Queiroz no Real Madrid.

Se é o trabalhador a bater com a porta, faz-se o simples acerto de contas até ao dia do abandono e passassem todos muito bem - aconteceu isso com José Antonio Camacho no Real Madrid. Este é o braço-de-ferro que se está a travar, já que toda a gente entendeu, Peseiro incluído, que acabou a carreira do técnico em Alvalade. Levanta-se, no entanto, outra questão: quem substituirá o ainda líder do plantel leonino? Não faltarão empresários a passar por Alcochete ou a bater à porta de Dias da Cunha para oferecer um dos trunfos do valioso naipe de treinadores desempregados.

Mas o Sporting, se quer ainda apanhar os cacos e salvar a época, não pode voltar a falhar. E é essa a ponderação que terá de ser feita. Peseiro sai, isso é certo. Resta saber quando, e quem ficará no lugar dele. O fantasma dos 18 anos é um excelente conselheiro.

Douala

Li, como me competia, o comentário que o meu camarada José Ribeiro aqui escreveu ontem, a propósito de Douala: "Sem ser um jogador de excepção, é o único, a par de Liedson, neste Sporting, que consegue alguns desequilíbrios". Estou quase de acordo com o Zé. O camaronês não será um jogador de excepção... a nível universal. Mas, para jogar na actual na SuperLiga, Douala tem, pelo menos, categoria para ser titular nos leões. Basta o lance do golo do empate, absolutamente divino - até o passe final para Beto foi feito pelo buraco da agulha! -, para provar que ele capaz não de "algum desequilíbrio", mas de levar o adversário ao trambolhão total.

Petrolina

O artista brasileiro do Belenenses ou muda depressa de comportamento ou não ganha para a... Petrolina. Ainda não acredito no que vi no Dragão. Juninho é derrubado e logo pensa em levantar-se. Chutam a bola contra ele e de novo lhe vem a ideia de se erguer. Dão-lhe então um palmadão nas costas e ele volta a tentar pôr-se de pé. Um adversário, já desesperado, encosta-lhe as pernas à cabeça, mas o médio do "Belém" insiste, insiste e acaba por se levantar! Claro que o apitador Elmano não teve outra alternativa que não fosse expulsá-lo, afinal, um árbitro não é de ferro. Agora, resta à Liga irradiar o Juninho - não vá ele tentar levantar-se outra vez!

Simão

Uma bênção a persistência de Simãozinho, que teve até de passar no Benfica por aquele rocambolesco caso em que perdeu a braçadeira de "capitão" a favor de um suplente com os dias contados no clube. Pois é, chegam muitos craques, grandes goleadores, alas sensacionais, promessas várias de momentos grandiosos, mas... quando se vai a ver, tem de ser o bom do Simão Sabrosa, com aquele talentozinho dos tempos do Sporting - que nunca desenvolveu nem nunca perdeu -, a retirar a fechadura e a arrombar a porta. Como se prova nesta edição de Record, são os "atiradores especiais", como Simão, que levam o Benfica à frente.

Metam-nos na Quinta!

Comecei, no dia a seguir ao jogo, por verberar a péssima actuação do árbitro Elmano Santos no embate entre azuis no Estádio do Dragão. Já não há mais pachorra para ver actuações dessas, que afectando objectivamente (como foi o caso) mais uma equipa do que outra, têm como maior prejuízo a descredibilização do futebol.

Alguém percebe como Ricardo Costa acabou o jogo sem ao menos um amarelo? Ele que armou a cena que levou à expulsão de Petrolina (já tinha estado no lance do primeiro cartão ao brasileiro...), que simulou um penalty num lance limpo de Marco Aurélio e que meteu o braço no pescoço de Lourenço em jogada no mínimo duvidosa? E que dizer da arbitragem de Jorge Sousa no V. Guimarães-Benfica?

Quando vejo os vimaranenses com dois "amarelos" logo aos 5 minutos, "antevi" a expulsão de Marco Ferreira (que ingénuo foi...), ou seja, que a equipa da casa não chegaria ao intervalo com os 11 jogadores. Acertei. Mas se tivesse ficado com dúvidas quanto ao nível do apitador do Porto, elas dissipar-se-iam com aquele penalty fantasmagórico marcado contra o Benfica. Quem apita àquilo, merece ir para a Quinta das Celebridades.

McCarthy

O investimento feito com Luís Fabiano - e que tudo indica ser uma questão de tempo até ter retorno - "obriga" Víctor Fernández a insistir com o brasileiro e a deixar o sul-africano no banco. Antes, é verdade que o FC Porto tentou "empandeirá-lo", pelo que não se estranha o pouco empenho na utilização do jogador. O problema é que no futebol como na vida o que conta é a realidade, não a ficção. E o que acontece é que o Benni entra e faz o seu trabalho. Jogou menos minutos que Fabiano e Postiga e marcou 3 golos. Juntos, os outros dois conseguiram... 1. Não sei se McCarthy continua a ir a Vigo mas, se vai, a coisa continua a dar.

Às vezes chegam cartas...

"Passeava com os meus dois netos nos arredores do estádio do Meu Clube antes de ir para o jogo, quando vejo uma senhora, com os seus 40 anos, com um menino que tinha um cachecol do Clube Adversário. De repente, dou com cerca de 30 jovens das claques do Meu Clube a baterem no menino, a tirar-lhe o cachecol e a darem com um pau na mãe da criança. Ficaram os dois estendidos no chão. O menino chorava e a mãe sangrava. Apertei os meus netos pela mão e tive medo. Levei-os para longe. Ao passar na zona das bilheteiras, vi um senhor com os seus 40 anos, com camisola do Clube Adversário, no chão, dentes partidos, olhos pisados e cheios de sangue, cana do nariz amassada, enquanto 20 ou 30 elementos da claque do Meu Clube o pontapeavam em diferentes zonas do corpo. Quando acabam o serviço, roubam um cachecol a um senhor mais velho do que eu, e um desses elementos dá com um pau na cara do homem, ficando este também estendido no chão. Corri para o estádio em pânico com os meus netos. Ao intervalo, os meninos partiram algumas dezenas de cadeiras do Meu Clube (e deles) e começaram a lançá-las para a bancada de baixo, contra as claques do Clube Adversário. Enquanto isso, agrediram um jovem que lá estava sentado. Aí, entrou a polícia em cena e os meninos valentes desataram a fugir... Moral da história: não vou mais ao futebol!"

Texto de leitor identificado. O nome dos clubes foi retirado do original. O conteúdo desta carta só merece um comentário: depois, queixem-se!

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