Esta obsessão anti-Benfica...

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Esta obsessão anti-Benfica...
Esta obsessão anti-Benfica...

Bruno de Carvalho (BdC) foi legitimado, em 2013, para quatro anos de mandato e pretende, agora, um voto de confiança dos sócios para poder prosseguir o seu caminho. No primeiro ano de mandato, tudo pareciam rosas. Rosas lindas, viçosas e... verdes. No segundo ano, tudo parecem espinhos. Espinhos que crescem por todo o lado.

Do “ciclo virtuoso” ao “ciclo penoso”. Estamos perante um volte-face de posicionamento. O presidente do Sporting vinha afirmando que, independentemente das críticas e do ambiente hostil, estava em Alvalade para ficar por muitos anos. “Têm de me aturar” – disse. Agora, condicionado pelos maus resultados na Liga e pelos efeitos de uma agressividade dialéctica que começa a mostrar-se, aqui e ali, contraproducente, BdC confessa-se sozinho e tem dúvidas, inclusive, sobre o papel actual e o apoio dos sportinguistas. A confiança ilimitada deu lugar a uma desconfiança limitada. Já se sabia, porém, com tantas frentes abertas, que bastaria “um Moreirense qualquer” para fazer abanar a centralidade das decisões presidenciais.

Bruno de Carvalho não quer ser a rainha de Inglaterra do Sporting ou a extensão comandada das entidades bancárias e os seus Espíritos Santos. Quer ter voz própria. Quer usar a faculdade que os sócios lhe atribuíram para produzir decisões. Mas ninguém, no lugar dele, consegue passar do Lumiar se acossar os fidalgos e os viscondes, os Marcos e os Nanis, os Duques e as princesas e tudo o que mexer (imprensa incluída) na periferia do condado. E passar do Lumiar para Londres ou Zurique, sem passar pela “Alexandre Herculano” ou pela “Constituição”, pode deixar um lastro de iniciativa, mas deixa pouco mais, a não ser uma carga de representação simbólica. Por isso, e como se viu nos Stromp, pouco adianta “festejar” a eliminação do Benfica da Taça ou mandar “lixar” (BdC dixit) o resultado do Benfica. Esta obsessão anti-Benfica não adianta nada e só concorre para o isolamento.

Bruno de Carvalho está metido numa camisa de sete varas. Num futebol macrocéfalo como o nosso, dominado pelo FC Porto e pelo Benfica e mergulhado num conjunto de contradições sistémicas, a partir das quais a aversão à mudança é historicamente latente, a procura de um novo regime não se consegue ou porque se quer ou porque se declara. As mudanças levam muito tempo a concretizar e nem a omnipresença (“24 horas por dia”) nem a omnipotência (autoconvencida) são suficientes para dar (nova) cor à fotografia.

Já disse e repito que Bruno de Carvalho não é culpado do mal que muitos sportinguistas fizeram ao Sporting. Ele, até se propor a ser solução, nunca havia feito parte nem do problema nem das pseudo-soluções. Isso deu-lhe alguma superioridade moral para tentar encetar um processo de recuperação do Sporting. Um processo de enorme dificuldade, em razão do estado de exaustão financeira em que foi colocado o clube de Alvalade. No futebol, por mais certeiro que se seja relativamente à abordagem de certas matérias, o êxito das lideranças é sempre avaliado, bem ou mal, pelos resultados desportivos. A chegada de BdC à presidência do Sporting começou por conhecer um impacto surpreendentemente positivo. Não porque se achasse que BdC não fosse capaz de encetar a recuperação necessária, mas pela rapidez com que o Sporting, ao nível do futebol mais representativo, se colocou no topo da tabela classificativa, conseguindo o apuramento directo para a Champions. Sempre afirmei que BdC, com a ajuda da competência de Leonardo Jardim, conseguiu numa época aquilo que, face ao diagnóstico realizado às enfermidades do clube, levaria uns bons pares de anos a alcançar. Tudo pareceu demasiado fácil e, eventualmente, essa noção de (aparentes) facilidades levou o presidente do Sporting a cometer alguns erros e excessos.

Oconfessado isolamento do Sporting em relação aos órgãos decisórios do futebol nacional não é uma novidade. Ter o cuidado e o desejo de não ver o (novo) Sporting confundido com a floresta até pode ser observado com uma virtude. Mas o isolamento a toda a escala que BdC acentuou com a sua chegada a Alvalade, seja porque os parceiros assim o determinaram, seja porque houve uma corrida voluntária e precipitada nesse sentido, não parece trazer nada de bom ao Sporting. Basta avaliar a decisão da CII da Liga, em relação ao caso Deyverson/Miguel Rosa. Mais do que a infeliz decisão do arquivamento (estavam à espera do quê?!...), fica a destreza com que a Comissão Executiva da Liga se apressou a emitir um comunicado. Toda a gente sabe que a CII é um órgão formalmente autónomo. Essa destreza-na-pressa seria a mesma se estivessem em causa protestos do Benfica e/ou FC Porto?...

NOTA – Fundos de investimento proibidos a partir de Maio de 2015: a orgia acabou.

O CACTO

Colapso e porquê?

Foram anos a fingir. Foram anos a fazer de conta. Foram épocas a fio com a Olivedesportos – na ausência de uma verdadeira regulação – a fazer de regulador do futebol português. Foram anos (como no país) de contas artificiais. Foram anos de contabilidades criativas e engenhosas. Foram anos de dependências absolutas e escravizantes, com graves (e inibidoras) extensões na Comunicação Social. Ninguém quis saber. Uns, porque foram beneficiários desportiva e financeiramente; outros, porque tardaram a perceber o logro. Não deixa de ser curioso que foi pela insistência de um ex-presidente da Liga (Mário Figueiredo), apontado actualmente (pois claro!) como “o mau da fita”, por ter acossado o “planeta Oliveira” e a profusão dos seus “satélites”, que criou as condições para a Autoridade da Concorrência (AdC) concluir que o regime contratual que rege a cedência dos direitos televisivos entre os clubes de futebol e a Controlinveste Media (CIM) “comporta um risco de encerramento do mercado”. Perante isto, a CIM obrigou-se a não voltar a celebrar contratos nas condições anteriores e ainda a dar a possibilidade de denúncia dos actuais contratos, com efeitos a partir de 2015/16.

Quando o presidente do Benfica vem tentar dizer que participou numa solução para evitar o colapso e a paragem dos campeonatos, não se pode esquecer que também fez parte do problema. Não será assim?

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