Estádio de Oeiras... na Cruz-Quebrada
Confesso que me faz confusão ouvir Pinto da Costa, de tempos em tempos, a referir-se ao Estádio Nacional como Estádio de Oeiras. E tal "nervoso miudinho" não está relacionado com o facto de, durante muitos anos, ter sido cidadão do concelho... de Oeiras. É que vivendo, estudando ou trabalhando nesse concelho, nunca o fiz propriamente em Oeiras.
O concelho de Oeiras, a exemplo de quase todos os outros no País, não tem apenas uma freguesia. Logo, chamar Estádio de Oeiras a um recinto que está situado na Cruz-Quebrada, para além de ser uma piada de gosto duvidoso, é um erro. É a mesma coisa que dizer que a Faculdade de Motricidade Humana (igualmente na Cruz-Quebrada) é em Oeiras ou que o Sport Algés e Dafundo - um dos clubes que, historicamente, mais atletas portugueses coloca nos Jogos Olímpicos - tem a sua sede em Oeiras.
Pinto da Costa pode não gostar de designar o Estádio Nacional como tal. É um direito que lhe assiste. Como também é legítimo não se sentir agradado por ver o seu clube disputar as finais da Taça de Portugal sempre no mesmo local que, ainda por cima, dista mais de 300 quilómetros da sua cidade. No entanto, daí até "rebaptizar" o Estádio ou, pior, "colocá-lo" numa localidade diferente... vai uma certa distância.
Gostaria de saber, aliás, quantas vezes é que a comitiva azul e branca, quando vem disputar a Taça de Portugal, passa por Oeiras? Provavelmente... nenhuma!
Tal como sucede com o Estádio Nacional e com Oeiras, nas imediações do Porto, pode-se ir jogar a Leça da Palmeira, que pertence ao concelho de Matosinhos, sem passar pela sede do concelho. E, convenhamos, ninguém se lembrará de dizer que vai ao Estádio de Matosinhos... Até porque em Matosinhos o Estádio chama-se do Mar!
