Este FC Porto faz sonhar
Esta semana jogou-se a quinta jornada da fase de grupos da Liga dos Campeões. Com dois dias completamente diferentes nos resultados para o futebol português. A terça-feira foi perfeita, com as vitórias de FC Porto e Sporting, mas a quarta-feira foi horrível. O Benfica perdeu e disse adeus não só à Champions League, como também à Liga Europa.
OFC Porto está mais uma vez de parabéns, pois venceu mais um jogo do seu grupo, desta vez por 3-0 frente ao BATE Borisov. Com estes três pontos, os dragões fizeram 13 pontos em cinco jogos. Fantástico! Com a derrota em casa do Shakhtar frente ao Athletic Bilbao, os portistas asseguraram matematicamente o primeiro lugar do grupo. A equipa do espanhol Julen Lopetegui tem um mérito incrível, porque é muito difícil para um clube português fazer estes números na melhor e mais difícil competição de clubes do Planeta. Estar qualificado em primeiro do grupo quando ainda falta um jogo costuma ser apenas uma situação normal para os multimilionários espanhóis, ingleses ou alemães, que no fundo são os grandes favoritos a ganhar esta competição. Por isso, o que fez o FC Porto, com o orçamento que tem, é genial. Não há palavras. Como já disse nestas linhas várias vezes, este FC Porto tem muito talento. Tem jogadores que podem desequilibrar e ganhar o jogo a qualquer momento e se conseguir afinar a organização defensiva, cometendo menos erros atrás, pode chegar muito longe na Champions. Este plantel, em eliminatórias a dois jogos, não tem que ter medo de nenhuma equipa. E ao ficar em primeiro lugar do grupo evita para já clubes como o Real Madrid, Bayern Munique ou o Chelsea nos oitavos-de-final, algo que é importante, pois são três claros candidatos a ganhar o título. Se tens de jogar contra estes tubarões, então que seja numa fase mais adiantada da época, em que o desgaste seja maior e que os grandes craques destas equipas comecem também a acusar os minutos e os quilómetros que levam nas pernas. Com jogadores como Brahimi, Quaresma, Herrera, Jackson e Óliver, entre outros, é impossível não sonhar e ter fé que este ano poderemos ter um FC Porto a fazer história mais uma vez!
Por outro lado, o Sporting, com oito portugueses no onze titular, venceu o Maribor e aproveitou a derrota do Schalke frente ao Chelsea para se posicionar na segunda posição do grupo. Neste momento só precisa de um ponto em Stamford Bridge para atingir nada mais e nada menos que os oitavos-de-final. O meu amigo José Mourinho já está qualificado em primeiro lugar do grupo e todos sabemos que ele quer ganhar sempre e não é de facilitar. Mas está em todos as competições e, se há um jogo para fazer rotações, este jogo será com o Sporting em casa. É o momento para dar descanso a jogadores como Hazard, Diego Costa ou Fàbregas. Mas, jogue quem jogar, acredito que estes autênticos leões podem fazer um jogo espetacular e conseguir o ponto que falta para estarem nos “oitavos”. Era um feito incrível para o Sporting e para o futebol português estar na fase seguinte com oito jogadores portugueses no onze titular em praticamente todos os jogos. O Sporting seria a equipa mais falada a nível mundial se isso acontecesse. Sem dúvida a mais invejada das 16 equipas nos “oitavos”, porque todas elas (até os grandes tubarões da Europa) adoravam ter oito jogadores nacionais no onze. Durante alguns anos, o Barcelona conseguiu esta proeza, mas hoje só o Bayern Munique pode conseguir ter tantos alemães na equipa titular. Seria perfeito e único, nos dias que correm, que o Sporting estivesse nos oitavos-de-final com tantos portugueses.
E, por último, o Benfica, que perdeu com o Zenit de André Villas-Boas e acabou por ver o Mónaco de Leonardo Jardim vencer em casa do Bayer Leverkusen, retirando-lhe também a possibilidade de conseguir o terceiro lugar que dava acesso à Liga Europa. Foi um dia péssimo para todos os benfiquistas e, sem dúvida alguma, para o futebol português. É verdade que o grupo do Benfica era um dos mais difíceis, onde tudo podia acontecer, um autêntico grupo da morte pelo equilíbrio que existe entre as quatro equipas. Infelizmente, o Benfica começou muito mal a competição, com a derrota em casa contra o Zenit. No segundo jogo, na Alemanha, vimos a pior versão da equipa do meu amigo Jorge Jesus e voltou a perder, ficando praticamente sem margem de erro. Tinha pela frente quatro finais. A equipa reagiu e melhorou nos dois jogos contra o Monaco, fazendo quatro pontos. Na quarta-feira, na Rússia, foi um jogo muito equilibrado em todos os aspetos. O empate era o resultado mais justo. Foi um daqueles jogos em que quem marcasse ganhava e o Benfica, antes do golo do Danny, teve duas ocasiões claras nos pés de Salvio e Luisão para abrir o marcador. Mas, como se costuma dizer, nestes momentos cruciais às vezes aparece a estrelinha da sorte, que caiu para o lados dos russos. Depois de duas finais consecutivas na Liga Europa, é um choque total não ver o Benfica em fevereiro a lutar por qualquer competição europeia. É duro, mas assim é o futebol!
GRANDE CALDEIRADA
Por quê Platini?
Quando ouvi as recentes declarações de Michel Platini, em que afirma que quem merecia vencer a Bola de Ouro seria um alemão que tivesse ganho o Mundial, eu questionei-me porque não o tinha feito em 2010, quando a Espanha tinha sido também ela campeã. O que levará o senhor Platini a agir deste modo quando sabe que a Bola de Ouro tem de ser ganha outra vez pelo Cristiano? Cada vez entendo menos os presidentes da FIFA e da UEFA...
NÓS LÁ FORA
Raphael Guerreiro também brilha em França
Na semana passada, e depois da estreia pela Seleção Nacional, o menino que nos deu a vitória no amigável frente à Argentina voltou a marcar. Desta vez, Raphael Guerreiro brilhou ao serviço do seu clube, o Lorient, no jogo em que recebeu e venceu, por 1-0, a equipa do Lens. Um grande momento para este jovem jogador! Parabéns!
DO MEU ÁLBUM!
Um momento sempre difícil
Ao ver o Benfica ser eliminado das competições europeias, pensei nos seus jogadores. Certamente nenhum deles queria estar nesta situação. Todos querem chegar às fases mais adiantadas das grandes competições. Todos querem estar nos grandes palcos em fevereiro. Recordei-me da minha carreira como jogador e o difícil que era sair tão cedo de uma competição destas, era uma deceção total.
