Estranha cultura do empate

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Sair de Belgrado com 1 ponto não é, à primeira vista, um mau resultado para a Selecção Nacional. Tendo em conta que o jogo foi disputado na casa de um dos principais candidatos à qualificação para o Euro'2008 e que a "poule" irá distinguir as duas nações mais regulares ao longo de um "campeonato" com 14 jornadas... o empate não parece, de facto, mau. Mas, sendo assim, porque razão esta igualdade me sabe a pouco?

Scolari tem sido um dos responsáveis pela melhoria dos resultados da equipa das quinas nos últimos anos. Podemos não gostar do estilo (estou longe de ser defensor da sua postura de “Sargentão”), das opções nas convocatórias, da elaboração do onze titular ou da táctica escolhida para cada embate (várias vezes defendi, neste espaço ou nas páginas do jornal, soluções diferentes), mas não devemos esquecer que foi ele quem guiou Portugal ao segundo lugar no Euro’2004 e ao quarto no Mundial’2006. É verdade que não conseguimos ainda o tal título com que todos sonhamos, mas para uma nação que nunca ganhou um único troféu de relevo no escalão sénior, o mínimo que se pode dizer é que o técnico brasileiro já nos colocou à porta.

Acredito que Portugal tem, neste momento, jogadores de qualidade suficiente (e em quantidade) para pensar em suceder à Grécia enquanto reis da Europa. Nesse ponto, aliás, não podia estar mais de acordo com o seleccionador que, antes do arranque da qualificação, afiançou que o objectivo era fazer melhor que em 2004. E melhor que segundo só pode ser... ganhar!

Seguindo esta linha de raciocínio, gostava de entender porque razão uma equipa que quer ser a melhor do seu continente opta, conscientemente, por jogar para empatar quando actua como visitante? As contas de Scolari são simples: ganhar em casa, empatar no exterior. O técnico queria 28 pontos (21+ 7 ) no final das 14 partidas. Será que desta forma seria possível garantir a qualificação? Creio que sim, da mesma maneira que 27 pontos (a derrota na Polónia alterou ligeiramente as contas) também é provável que dê para carimbar a passagem. Mas, sejamos realistas, é agradável (ou compreensível) ver uma das melhores selecções mundiais da actualidade a não perseguir a vitória quando o jogo pede exactamente que se arrisque um pouco mais? Para mim, não! Ainda por cima sabendo que, hoje, a diferença entre empatar e vencer não é apenas 1 ponto como no passado, mas sim 2...

Em casa, Portugal tem feito o que lhe compete. Aliás, no recente duelo com a Bélgica, até ultrapassou as expectativas. Mas, fora, em 3 partidas, não somou um único triunfo. Empatar na Finlândia e na Sérvia e perder na Polónia não são, em meu entender, resultados condizentes com o actual estatuto da Selecção. E se com os polacos a igualdade até teria sido (aí sim) um resultado positivo, pois a superioridade do adversário foi indiscutível, não me parece que as outras duas igualdades tenham sido boas. Nem satisfatórias. Em resumo: sofremos golos nas três deslocações e só amealhámos 2 pontos em 9 possíveis. É curto. E basta um deslize em casa – ou uma eventual derrota na Bélgica ou numa das ex-repúblicas soviéticas, locais onde já demos vários pontapés na sorte – e as contas de Scolari passarão a depender de uma calculadora. É preciso não esquecer que há 5 países a lutar pelo apuramento nesta série. Por isso, e por ter a certeza que somos melhores que os restantes concorrentes, não gostei da igualdade em Belgrado, nem subscreverei a ideia que será positivo empatar fora com belgas, arménios, azeris ou cazaques!

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