Estrelinha sem brilho

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Nada me move contra o Estrela da Amadora. Aliás, até recordo com certa nostalgia as tardes de domingo que passei no então pelado a ver algumas partidas do clube, numa altura em que, sonhar com a ascensão ao escalão principal, com a vitória na Taça de Portugal ou com a participação nas competições europeias era mais que utópico.

O Estrela, é verdade, cresceu muito em poucas décadas. Empurrado pelas verbas oriundas de um maná chamado bingo, o clube foi galgando divisões, construíndo um estádio com outras condições e, de repente, estava entre os mais importantes clubes nacionais. Só que, a exemplo de tantos outros emblemas, o Estrela - através dos seus dirigentes e não responsáveis... - colocou-se em bicos de pés, alinhou em "correrias" para as quais não estava minimamente capacitado e, num ápice, deixou de ser um modelo de ascensão sustentada para se tornar num exemplo claro de colectividade pobre (ou remediada) a fazer vida de rico.

A situação denunciada esta sexta-feira pelos profissionais do clube não surpreende ninguém. Há muito que o Estrela vive "ligado à máquina", rodeado de dívidas. Não coloco em causa a honestidade e a dedicação dos seus dirigentes, mas a verdade, nua e crua, é que este clube, com estas condições e sem uma base de apoio válida (a esmagadora dos associados são, em primeiro lugar, adeptos de Benfica ou Sporting), não pode sobreviver muito mais. Ou melhor: pode, desde que não continue a fazer orçamentos que, todos sabemos, não vão poder ser cumpridos.

O Estrela, para evitar o fim de outros clubes - que também protagonizaram brilharetes internos e internacionais -, tem de perceber que a única solução é dar um (ou mais) passo(s) atrás. Só dessa forma poderá existir futuro. Mesmo que não seja particularmente brilhante. Mas, não será isso melhor e mais honrado do que andar no escalão principal a fazer tristes figuras, vendo os seus profissionais admitir não ter dinheiro para fazer face às despesas mais básicas?

No meio de tudo isto, não consigo entender como é que as entidades responsáveis, nomeadamente a Liga, continua a aceitar a inscrição de emblemas que, pese toda a boa vontade, não reúnem condições para competir. Como é que o Estrela, com tantas dívidas, continua a poder inscrever treinadores e jogadores? Sim, é que os problemas não são de agora. Os salários em atraso há muito que deixaram de ser uma situação pontual. Agora, o que acontece de tempos em tempos é ver a equipa receber uns premiozitos de jogo para sobreviver. Até quando?

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