Europeu para sonhar

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Embora seja verdade que os sorteios só se tornam fáceis (ou difíceis) quando a bola começa a rolar dentro do campo, Portugal não se pode queixar da sorte no que se refere aos adversários que teremos pela frente na primeira ronda da fase final do Europeu de 2008. República Checa, Turquia e Suíça possuem qualidade, é certo, mas não são tão fortes que possam colocar antecipadamente em sobressalto uma equipa que, nas duas últimas grandes competições internacionais, conseguiu o segundo lugar no Europeu (2004) e o quarto no Mundial (2006).

Oficialmente, Portugal não é o “cabeça de série” deste Grupo A, mas parece-me pacífico que o nome mais sonante entre os quatro integrantes da “poule” é o nosso. Basta ver o que diz a imprensa internacional ou as previsões das casas de apostas para confirmar que ninguém ousa prever o afastamento da Selecção Nacional logo na fase inicial do evento. E se tal acontecer, é óbvio que o rescaldo será bastante negativo.

Já sabia, por antecipação, que Scolari não iria assumir nenhum favoritismo. É coloquial, aliás, qualquer treinador dizer sempre que vai ser difícil o jogo seguinte. E, objectivamente, até acredito que a tarefa lusa será tudo menos um passeio mas, convenhamos, duro era estar numa série com italianos, holandeses e franceses. Pensar na qualificação para a segunda fase, mais do que uma meta desejável, é um objectivo perfeitamente alcançável.

Para cumprir o requisito mínimo de passar a primeira fase e, de seguida, atacar o alvo definido por Scolari aquando do início desta caminhada (fazer melhor que em 2004 ou seja... ganhar o título), Portugal precisará, no entanto, de jogar mais e melhor que na qualificação. Sem lesões graves, com um período de cerca de 20 dias para preparar um conjunto reconhecidamente forte e recheado de excelentes executantes e com o apoio total de uma nação, o seleccionador terá todas as condições para, mais uma vez, apresentar uma equipa fortíssima na fase final.

Quis o destino que os jogos de Portugal decorram em território suíço. Até nisso, Portugal pode dar-se por feliz. Actuar em Géneve e Basileia não é a mesma coisa que estar em Lisboa ou Porto, mas não é muito diferente. Mesmo tendo em conta que Suíça e Áustria estão localizadas no centro da Europa – o que facilitará a deslocação de milhares de adeptos de muitas selecções -, já se sabe que Portugal vai “jogar em casa”. Os emigrantes serão, seguramente, um fulcral 12º jogador em busca do sonho.

PS – O FC Porto venceu na Luz. Confirmou-se que a paragem fez muito bem aos dragões; que Quaresma tem mesmo o dom de aparecer nos jogos “a sério” e que, após uma fase de desacerto, os portistas são os mais sérios candidatos ao título. Ao Benfica faltou, desta vez, a tal “pontinha” de sorte (nomeadamente nos remates de Nuno Gomes a abrir a partida e no recomeço), mas também frescura física e um Camacho mais arrojado. O espanhol tem, comprovadamente, alergia a um esquema táctico com dois pontas de lança. E terça-feira, na Ucrânia, um eventual adeus à Europa poderá agravar o choque provocado pelo desaire com os rivais. Depois de mês e meio de serenidade e aumento de confiança, a turbulência pode estar de regresso ao ninho das águias.

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