Eusébio sempre

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Eusébio sempre
Eusébio sempre

Toda a gente ama Eusébio. Benfiquistas, claro, mas também portistas, sportinguistas ou bracarenses. Portugueses, claro, mas também espanhóis, ingleses ou italianos. Luís Filipe Vieira, claro, mas também Jorge Nuno Pinto da Costa ou Bruno de Carvalho. Eusébio é mais que universal. Eusébio conseguiu, na sua morte, trazer ao de cima o melhor de toda a gente.

O caso dos presidentes dos clubes rivais do Benfica é paradigmático. A presença de Bruno de Carvalho nas cerimónias de homenagem engrandece tanto o jogador encarnado como o clube verde e branco. As declarações de Pinto da Costa calam fundo, superando momentaneamente rivalidades históricas, e dignificando tanto quem as recebeu como quem as fez. E Luís Filipe Vieira, é preciso dizê-lo, foi notável na homenagem. Porque ela começou muitos anos antes da morte do Pantera Negra. António Oliveira foi um dos que o recordou esta semana: Eusébio andou afastado do Benfica (ou o Benfica afastado de Eusébio) e Vieira resgatou-o desse abandono para lhe devolver o brilho e o apoio que o jogador merecia inteiramente. E mesmo que a sua vida tenha sido muito atribulada e nem sempre feliz, ela terminou preparada para a glória, que o funeral bem mostrou.

É impressionante perceber a universalidade da admiração por Eusébio. Começando pelas idades – dos avôs que o viram jogar aos filhos que ainda ouviram relatos vivos desses jogos, acabando nos netos que sabem da lenda. Mas também nas nações, como se viu nas reações à notícia da morte do jogador português, em jornais de todo o Mundo. Só um jogador mundial conseguiria esse aplauso. Só um homem bom teria essa admiração. Só um herói faria com que uma estação televisão voltasse a transmitir o Portugal-Coreia do Norte quase 50 anos depois. O famoso 5-3. Um jogo inesquecível, mesmo para quem nunca o tinha visto. Como Eusébio.

De tudo o que se ouviu nestes dias, talvez nenhuma palavra tenha sido mais vezes dita que a palavra “obrigado”. É uma palavra de gratidão. De paz. De união. E é a palavra certa: Obrigado, Eusébio.

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