Falta de coragem no "ataque" a Jesus

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Falta de coragem no "ataque" a Jesus
Falta de coragem no "ataque" a Jesus

Com a conquista da Taça da Liga, ontem à noite, em Coimbra, o Benfica ultrapassa o FC Porto em número de troféus conquistados (75-74) e Jorge Jesus pode somar mais essa proeza ao conjunto de recordes que foi pulverizando enquanto treinador dos encarnados. Agora que a época fecha também para o Benfica, Luís Filipe Vieira e Jorge Jesus podem finalmente chegar a uma conclusão sobre se querem, ou não, dar continuidade a uma relação de seis anos, que foi - feitas as contas - bastante profícua, não apenas em número de troféus conquistados (10) mas principalmente em termos de uma identidade futebolística que o Benfica passou a exteriorizar.

Parece claro que Jorge Jesus só admite continuar no Benfica se não lhe aparecer um projecto desportivo mais aliciante. Vejamos: Jesus acaba a época em alta, com mais este troféu conquistado em Coimbra e depois dos festejos (pouco eufóricos) do bicampeonato. Dificilmente poderia ambicionar muito mais. Ninguém tem dúvidas, hoje, depois de muitas interrogações sobre o seu tipo de intervenção no futebol dos encarnados, a suscitar opiniões distintas dentro e na periferia da SAD, agora um pouco menos assanhadas, que - tendo passado duradouramente pela Luz técnicos de renome, como Otto Glória, Béla Guttmann, Jimmy Hagan, Sven-Goran Eriksson, entre outros - Jorge Jesus ganha um lugar entre os mais notáveis treinadores da história do futebol do Benfica. Em comparação, ninguém ganhou, em épocas inteiras, mais títulos na Luz e passa a ser o treinador português com mais sucesso no futebol benfiquista.

Talvez fosse natural que, perante as factualidades acima descritas, o Benfica tivesse feito mais alguma coisa até hoje para assegurar, mais cedo, a continuidade dos serviços de Jorge Jesus. Ao contrário, a imprensa desportiva deu eco, exaustivamente, da pretensão de Luís Filipe Vieira em inflectir o projecto, na sequência de promessas feitas durante a última campanha eleitoral: maior aproveitamento do trabalho desenvolvido no Seixal e garantir uma maior percentagem de jogadores portugueses na equipa mais representativa do Benfica. E, para além disso, dos sucessivos "avisos" ao treinador, foram demasiadas as alusões feitas pela imprensa ao salário auferido pelo técnico que até hoje mais valorizou desportiva e financeiramente os activos da SAD. Houve demasiados recados e certamente alguma falta de coragem e consideração para colocar tudo, preto no branco, com frontalidade, debaixo dos olhos de Jorge Jesus. A dúvida é se, neste processo, a falta de coragem pesa mais ou menos do que a falta de vontade. Parece óbvio que há uma relação, que essa relação até pode ser mantida por força de um "comodismo conjuntural", mas também parece óbvio que deixou de haver paixão nessa relação. A confiança de Vieira em Jorge Mendes para controlar os passos de Jesus dá uma certa tranquilidade ao Benfica, no âmbito dos caprichos do mercado externo. Será ela suficiente para o Benfica não perder o controlo sobre a "operação"? As próximas horas serão decisivas para tudo ficar esclarecido.

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As próximas horas serão também cruciais para desfazer um outro tabu. A final da Taça de Portugal, a realizar amanhã, entre Sporting e Sp. Braga, no Jamor, vai tirar as dúvidas sobre a continuidade (ou não) de dois treinadores que não cessam contrato com as respectivas entidades patronais antes do fim de Junho: Marco Silva (2018) e Sérgio Conceição (2016).

Casos de pouca ou fraca identificação entre treinadores e presidentes/dirigentes há muitos no futebol nacional e internacional. No caso do Sporting, quando se deu o "casamento" entre Bruno de Carvalho e Marco Silva, os "noivos" não se conheciam o suficiente. Resolveram "dar o nó" em razão de uma simpatia e um interesse conjunturais. Os "noivos", entretanto casados, foram-se conhecendo mais em detalhe e concluíram que não tinham feitios compatíveis. Um quer ser o dono da casa. O outro não quer ser "boneco de sala". Não parece que haja solução para uma relação em que a coabitação é um contrato; deixou de ser um desejo.

Afinal da Taça de Portugal de amanhã é muito importante para o Sporting, depois de 7 épocas sem ganhar um troféu. Não há divergência que se possa sobrepor à importância da conquista de uma taça. E isso é válido para o Sporting, para o Sp. Braga ou para outro clube qualquer. Mas já se percebeu que, em caso de vitória, e na situação em que as divergências são mais profundas, Bruno de Carvalho ficará com o pior bocado. É que, nessas circunstâncias, fica muito difícil fundamentar a destituição de Marco Silva. Vai ser necessária alguma imaginação.

O CACTO

Desenhos animados
- Blatter e a FIFA

No meio das ondas de choque causadas pela detenção de vários actuais e antigos dirigentes da FIFA, e depois da profusão de críticas que se abateram sobre o "velho general", Josef Blatter consegue a reeleição para mais um mandato como presidente da organização que comanda o futebol mundial.

Parece coisa de desenho animado.

Nas suas incursões pelos mares profundos do futebol-negócio, o "submarino" é atingido de forma drástica e violenta, apresenta danos aparentemente irreparáveis e, de repente, vem à superfície e o seu comandante, meio combalido, meio emocionado, vem declarar assim a modos que está bonzinho de saúde e que, com uma reparaçãozita, o "submarino" estará pronto a retomar as suas rotas marítimas, com uma tripulação reanimada.

Parece coisa de desenho animado. Sinceramente, não me parece que este cancro se trate com água oxigenada e com mercurocromo.

Não acredito na solidez da reeleição de Blatter e não acredito na regeneração de um sistema caduco, mafioso e corrupto. Mas também não acredito naqueles que sempre se alimentaram da seiva deste sistema e que apenas querem substituir o "velho general" e a sua "entourage" para tomarem as rédeas do (mesmo) sistema.

O ataque foi ao modelo. Com os Estados Unidos em campo, não creio que isto possa ser (mais) um episódio de desenhos animados.

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