"Fantasma" Vítor Baía
"A Selecção perdeu mais do que eu", disse Vítor Baía, em entrevista ao site da FIFA, quando confrontado com a polémica ausência no Europeu de 2004, prova onde o trajecto luso deixou todo (ou quase...) um País a sonhar, mas onde o segundo lugar acabou por saber a pouco.
Nunca tinha tentado analisar a questão desta forma: perdeu mais a Selecção (leia-se Portugal) ou Baía? E, objectivamente, creio não ser muito útil tentar descobrir quem sofreu maiores danos. Para mim, importante é realçar que ninguém ganhou nada com esta triste e evitável "embrulhada".
Os apoiantes do "keeper" nortenho continuam a considerar que a Selecção talvez tivesse conquistado o título se Baía estivesse no lugar de Ricardo. É um pensamento muito subjectivo. Já aqueles que não reconheciam qualidades acima da média ao agora dirigente azul e branco recordam o seu mau desempenho no Mundial de 2002 para justificar que nada teria sido diferente. É outro pensamento muito subjectivo, pois momentos menos bons todos os guarda-redes têm na carreira, chamem-se Baía, Ricardo ou Cech... como se viu domingo.
E já agora, creio que, no Oriente, o guarda-redes portista não foi o principal culpado da péssima prestação lusitana. Penso que não devia ter sido titular, mas daí a atirar-lhe com as responsabilidades do insucesso vai enorme distância. Até parace que o rapaz nunca fez uma defesa de jeito na vida...
Regressemos ao Euro'2004. Aceito que Baía não fosse o dono da baliza, mas reafirmo o que já defendi antes: considerar que o portista, então em grande forma e a arrebatar troféus uns atrás dos outros, não cabia na lista dos 3 melhores guarda-redes portugueses da época é... ridículo.
Scolari tinha (tem e terá sempre, assim como qualquer outro técnico) legitimidade para chamar quem quiser à Selecção, mas recusar-se a explicar as razões da ausência de Baía só contribuiu para transformar um ausente num "fantasma". Sejamos claros: Scolari não podia considerar Baía apenas o quarto ou quinto melhor guarda-redes na altura do Euro'2004. Isso não seria normal num treinador experiente e que, claro, vive o futebol 24 horas/dia.
O seleccionador não o convocou por outra razão qualquer (rumores não faltam por aí...), provavelmente dando ouvidos a terceiros, já que nada poderia dizer de um futebolista que nunca orientou. Mas, se nunca quis explicar as verdadeiras razões do seu "esquecimento", bastava chamá-lo uma vez e, depois, ignorá-lo justificando com a célebre "opção técnica". O pessoal passava uns dias a rir, mas deixava de falar no assunto. Assim, quase em 2008, o "fantasma" continua a ser tema de conversa.
