Fase de esperança

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Fase de esperança
Fase de esperança

A época festiva que envolve o Natal e a chegada de um novo ano é uma das minhas preferidas. Nesta altura, os encontros familiares, apesar de frequentes ao longo do ano, têm sempre um sabor especial. O frio do inverno e a magia das luzes ajudam a renovar esperanças, a esquecer os maus momentos e a abrir as portas a novos sonhos e ambições. Este é um sentimento que se estende igualmente ao futebol, em que os adeptos renovam as suas crenças, acreditando na chegada de um ciclo de grandiosas vitórias dos seus clubes nos tempos vindouros.

É certo que vivemos num período de maior contenção, mas com mais ou menos luzes, com brilhos e desenhos diferentes, nada apaga a história de um menino (Jesus) que trouxe uma mensagem de esperança ao Mundo. Esse ensinamento é transportado para todos os momentos da nossa vida, quer se esteja a falar de uma ida ao circo, de um simples passear pela Baixa da cidade ou até das compras de Natal, hoje mais simbólicas do que em outras alturas.

O comum adepto da bola também enche o seu peito de expectativas. Uma questão de orgulho para uns, um sinal de crença para outros. A chegada de novos craques, por exemplo, é uma das questões que mais lhes paira pela cabeça. Pelos lados da Luz, a contratação de um lateral-esquerdo é uma matéria prioritária, enquanto que os vizinhos de Alvalade se focam mais numa solução de qualidade para o centro da defesa. Por sua vez, na Invicta todos aguardam pelo desejado avançado, um digno sucessor de Falcão.

Mas é também nesta altura que se percebe que essas são preocupações menores. Para além da azáfama do nosso quotidiano, há pequenas coisas que nos fazem revigorar no interior e que devem ser apreciadas com o devido valor. Sabe bem descansar junto da lareira a ler um livro, ver um filme que estreia na televisão ou ir ao cinema com os mais novos para assistir a uma animação. Até um telefonema ou uma mensagem de um amigo pode ter uma importância especial e característica.

A época de festas tem muito mais coisas para as quais só nesta altura temos tempo de as considerar. São os presépios espalhados por todas as lojas, igrejas e habitações. São as cores que brilham nas árvores de Natal, sejam elas verdes, vermelhas ou azuis. São os apelos à solidariedade, porque nem toda a gente pode, pela condição económica em que se encontra, vivenciar estes tempos de forma tão relaxada, despreocupada ou feliz.

Voltando ao futebol nacional, é inevitável e imperativo que o materialismo lhe deixe de estar associado. Os clubes portugueses não têm capacidade financeira para se meterem em aventuras despesistas. Os exageros podem tornar-se feridas difíceis de estancar. A formação de jovens talentos, sobretudo nacionais, terá de ser o caminho seguido por grandes e pequenos. E a felicidade dos adeptos também pode ser conseguida por esta via. É só ver o exemplo de uma equipa chamada Barcelona. Um campeão do Mundo que tem um plantel composto, em mais de 60%, por jogadores do seu país.

Agora que entramos em 2012, o meu maior desejo é que possamos enaltecer a nossa atenção para coisas que por vezes parecem insignificantes, mas que nos fazem mais felizes. E tal como um adepto, acreditar que o dia de amanhã será sempre melhor.

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