Favoritos
Dizer que um jogo entre candidatos ao título "é apenas mais um jogo" é um lugar comum que não corresponde à realidade. Logo à partida, porque não vale os mesmos 3 pontos de qualquer outro confronto, mas sim 6, correspondentes aos 3 que uma das equipas ganha e aos 3 que o rival perde. Isto, se não houver empate, claro... Além da mera questão matemática dos pontos, um clássico tem ainda o valor acrescido da motivação, da condição anímica de quem ganha, do rude golpe nas aspirações de quem perde, na forma como os adeptos passam a encarar as respectivas equipas e jogadores.
Em suma, num campeonato com as características do nosso, onde a diferença dos candidatos ao título para as restantes equipas é tremenda, o título decide-se muitas vezes nesses jogos. Veja-se o exemplo do ano passado, onde a vitória encarnada no Dragão teve um peso enorme no desfecho da Liga, ou o exemplo de 2012/13, onde FC Porto e Benfica se defrontaram invictos na penúltima jornada e o irreverente Kelvin acabou por decidir o título para os dragões.
Este ano, ditou o calendário que o primeiro clássico seja no Dragão, logo à quinta jornada. Um duelo entre equipas em fase de reconstrução, onde as principais referências azuis e brancas são estrangeiros com pouco tempo de dragão ao peito, como Casillas, Maxi Pereira, Corona, Brahimi e Aboubakar, mas onde começam a surgir jovens portugueses que têm tudo para ser as referências do futuro, como Danilo, Ruben Neves ou André André.
No lado oposto, a experiência de Júlio César, Luisão, Gaitan e Jonas é agora "salpicada" com a irreverência de jovens como Nélson Semedo ou Gonçalo Guedes, numa clara inversão da tendência imposta pelo técnico anterior. Independentemente de tudo, a minha opinião é igual à de sempre: o FC Porto, seja onde for e contra com quem for, é sempre, mas sempre favorito. E este jogo não é excepção. O favoritismo está lá, como sempre, resta apenas materializá-lo sob a forma de golos e nos consequentes três pontos.
