FC Porto e Sporting roubados na Europa
Basileia-FC Porto
31 minutos: Samuel agarra e puxa Jackson Martínez na área suíça. A equipa de arbitragem nada assinala e seria penálti.
(O Basileia vencia por 1-0 e o FC Porto poderia chegar à igualdade sobre a meia hora de jogo)
Wolfsburgo-Sporting
44 minutos: Vieirinha corta a bola com o braço na área alemã e árbitro nada assinala. Seria penálti.
(O jogo achava-se empatado e o Sporting poderia passar para a frente do marcador)
Estes foram os erros capitais das equipas de arbitragem que dirigiram as partidas na Suíça e na Alemanha. Outros erros existiram, mas aparentemente (repito, aparentemente) não tão determinantes. Por aqui se vê como as equipas de arbitragem, mesmo compostas por seis elementos, não são capazes de detectar as principais irregularidades de um jogo e, com isso, contribuem para adulterar o resultado das partidas. Há uma tendência generalizada para aceitar esses erros, essa incapacidade ou seja lá o que isso for, mas é nesses momentos que o trabalho dos treinadores, jogadores e de todas as figuras que contribuem para o sucesso de uma equipa é colocado em causa. São prejuízos de milhões, uns avançam nas competições e outros não, mas ninguém parece verdadeiramente estar muito preocupado com isso, não obstante alguns contributos que vão aparecendo, como é o caso de Luís Figo, que veio defender, em boa hora, na apresentação do seu programa como candidato à presidência da FIFA, a utilização das novas tecnologias no futebol. Esta aparente aceitação de que os erros de arbitragem são irreversíveis é construída em cima de uma mentira (é possível diminuir drasticamente a influência negativa das arbitragens nos jogos!) e ela vai passando ao longo dos tempos porque se gera a convicção de que uns são beneficiados hoje e prejudicados amanhã. Outra mentira! Veja-se o caso do Sporting: despejado da Champions por erros grosseiros de arbitragem (também na Alemanha!) e, agora, muito perto de deixar a Liga Europa, de novo vítima de uma equipa de arbitragem (o árbitro central estava bem colocado) que não (?) viu aquilo que deveria ter visto.
A arbitragem de um jogo de futebol não pode ser desvalorizada, porque conquistou um poder inusitado que não se coaduna com o escrutínio geral a que todas as actividades estão submetidas nas sociedades modernas. As decisões (técnicas) dos árbitros de futebol são das poucas que são irrevogáveis nos tempos de hoje. A FIFA, a UEFA e as suas servas (que são as federações) obrigam-nos a aceitar este tipo de esclavagismo dos tempos modernos. É assim e ponto. Não somos todos (longe disso) Charlies. Somos todos marionetas de um sistema que nos é imposto e gera um grau de satisfação muito razoável na corporação do futebol, porque no fundo quase todos ganham alguma coisa com ele: jogadores, treinadores, dirigentes, presidentes, árbitros, empresários, outros intermediários e alguns (ex)jornalistas. Poucos querem mudar porque, na verdade, acham que um regime mais aberto e mais transparente é uma ameaça ao seu próprio negócio. Tão simples quanto isto.
O FC Porto poderia ter trazido um resultado melhor da Suíça, independentemente dos prejuízos da arbitragem, que também têm sido claros (esta época) na competição nacional? Sem dúvida. O FC Porto mostrou que é melhor equipa do que o Basileia e concordo com Lopetegui quando diz que "o FC Porto fez um bom jogo". Aliás, a forma como o FC Porto actuou na Suíça fez-me lembrar os grandes momentos que o FC Porto já viveu na Europa. Uma equipa com personalidade, activa, capaz de mandar no jogo. Por isso, volto a concordar com Lopetegui quando mostrou a sua irritação com a imprensa portuguesa. Queriam (mais) o quê?!…
Se a juventude do FC Porto e a inexperiência do treinador (nas altas andanças) são factores que limitam a afirmação da inequívoca qualidade dos jogadores, já a juventude do Sporting e a inexperiência do treinador (nas altas andanças) chocam com outras realidades. A qualidade global do plantel do FC Porto é muito superior à do Sporting. Sem Slimani, a pobreza de recursos e a falta de soluções para o ataque é gritante. A diferença de velocidade para os adversários é colossal. Chegam sempre primeiro à bola. Reagem imediatamente à perda do esférico e, na exploração dos espaços vazios, a velocidade é uma arma terrível que os jogadores do Sporting não conseguem utilizar. Por quê? Porque não estão preparados para isso. Por quê? Porque a Liga portuguesa não exige que os jogadores se preparem para serem mais rápidos, mais focados, mais competitivos. E isso nada tem a ver com a arbitragem...
Fica claro, no entanto, que apesar das presenças de José Mourinho, Cristiano Ronaldo, Jorge Mendes, Luís Figo ou Pedro Proença no tecido futebolístico internacional, o futebol português não tem peso nenhum, como se viu agora na Suíça e na Alemanha. Será... negócio a mais?!
O programa de Luís Figo
Destronar Blatter é, neste momento, uma tarefa quase impossível. Figo deu um passo em frente e está a semear. Apresentou um programa, no qual tenta atrair as federações através do dinheiro e do aumento das contribuições anuais. Não há outra forma. O dinheiro move tudo. De resto, o aumento do número de equipas a participar no Mundial é outra vez uma questão de dinheiro. Não é uma boa ideia, desportivamente. Dizer "sim" à tecnologia da linha de golo e ao debate sobre a introdução de outras tecnologias é um bom princípio. Mas quem tem Platini por perto não pode ambicionar grande coisa. Como é um bom princípio "aumentar a transparência dos movimentos de dinheiro" em transferências. O único problema destes programas é a sua implementação.
Silêncio cúmplice
Bruno de Carvalho diz que Luís Filipe Vieira lhe propôs um acordo para alternarem as vitórias no campeonato. Por outras razões, levantam-se, barafustam, fazem um ruído insuportável. Perante uma declaração tão grave, o silêncio. Silêncio estranho. De Vieira, da FPF, da Liga. Mentira ou verdade, ninguém deveria ficar indiferente. O futebol é uma actividade muito "sui generis". Não está regulada. A irresponsabilidade e a impunidade dominam. E o poder político olha para o futebol como se fosse o seu (privado) "circo romano". Ninguém lidera, ninguém tem autoridade. Lamentável.
