Federação do disparate

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Federação do disparate
Federação do disparate

Desconcertante: a FPF decide apresentar o novo seleccionador nacional, Fernando Santos, sucessor de Paulo Bento, no dia em que o Comité de Apelo da FIFA dá a conhecer a sua recusa em retirar ou amenizar o castigo de 8 jogos com que o ex-seleccionador da Grécia havia sido brindado em Agosto passado, por “conduta antidesportiva para com os árbitros”, na parte final do jogo com a Costa Rica, no último Mundial. Não está em causa o essencial do perfil de Fernando Santos – embora seja muito estranho este selo de “escolha consensual”, repetida até à exaustão para se declarar, “oficialmente”, como uma verdade adquirida... –, mas esta atracção (em espiral) pelo disparate revelada na FPF.

O primeiro disparate de Fernando Gomes na FPF foi acreditar piamente, quando chegou da “comissão de serviço” na Liga, que Paulo Bento reunia as condições necessárias para ser o motor da transformação da Selecção Nacional, no pós-Queiroz. O disparate maior tinha sido de Madaíl, pelo que Fernando Gomes não apenas confirmou olimpicamente o disparate como reforçou o disparate, ao renovar o contrato de Paulo Bento antes do Euro’2012, cedendo a uma exigência do ex-seleccionador. Fernando Gomes dava preocupante sinal de uma liderança frouxa e ter-se-á sentido compensado pela forma como Portugal se bateu na Alemanha, ao ser eliminado nas meias-finais no jogo com a Espanha. Fernando Gomes não teve a capacidade de ler os sinais óbvios de uma Selecção que se estreitava cada mais num corredor de opções com pouco sentido, à margem de critérios dominantemente desportivos. E, como não teve essa capacidade, insistiu num disparate ainda maior, que foi renovar (de novo) o contrato de Paulo Bento antes do Campeonato do Mundo. Quer dizer: Fernando Gomes achava que Paulo Bento era uma solução de longo prazo. Só assim se compreende que lhe tenha renovado o contrato por duas vezes, sem qualquer necessidade de o fazer.

Os disparates continuaram. A aposta tinha sido tão forte em Bento que Gomes não tinha forma de travar a fundo e fazer marcha-atrás. Nem isso o presidente da FPF percebeu (ou não o deixaram perceber). Ignorou a forte probabilidade de ter de fazer uma inflexão. Por isso, quando Portugal foi goleado pela Alemanha daquela forma tão brutal e empatou “in extremis” com os Estados Unidos, colocando à vista de todos a falência dos critérios, Fernando Gomes viu-se prisioneiro da cadeia de disparates. A intervenção em pleno Mundial de Humberto Coelho, empurrado para explicar o que a FPF não estava em condições de explicar, e nem sequer sabia como explicar, foi um momento de raro desconforto. Seguiu-se o rescaldo, que demorou dois meses. Dois meses para preparar a substituição da equipa médica e um discurso. Um discurso (de Fernando Gomes) atraiçoado por um único momento de improviso – quando a FPF se olhou ao espelho e declarou: “Somos todos incompetentes.” Patético e ridículo! Fernando Gomes acabava de dar um “tiro na cabeça” e fulminava o que ainda restava da credibilidade da FPF.

Fernando Gomes não contava com a derrota frente à Albânia. Havia sempre a possibilidade clássica de abafar as críticas e contornar as realidades com a obtenção de resultados positivos. E isso, apesar dos erros, dos disparates e do evidente desconchavo, poderia começar com uma vitória perante os albaneses e uma fase de qualificação para o Europeu que se adivinhava extremamente facilitada (só não se apuram as equipas muito fracas ou quem estiver mesmo a dormir). A derrota frente à Albânia precipitou tudo e realçou a justeza das críticas. E Fernando Gomes, respaldado pela direcção, decidiu contrariar todas as suas “juras”, sentenças (“temos um dos melhores treinadores do Mundo”) e “provas de amor” para deixar cair Bento. Com muito tempo de atraso. À quarta tentativa para iniciar um novo ciclo e apagar os erros cometidos até então – o momento da escolha do novo seleccionador –, Fernando Gomes volta a cometer outro disparate. Atente-se: não está em causa Fernando Santos. Está em causa a contratação de um treinador castigado com 8 jogos de suspensão, que estará impedido de se sentar no banco de Portugal durante grande parte ou mesmo toda a fase de qualificação do Europeu. O único treinador português que mereceria uma condescendência desta envergadura seria José Mourinho. Por tudo o que já ganhou e por tudo o que ele significaria para a afirmação da Selecção.

Compreendeu-se que Fernando Gomes cavalgou a onda de uma possível redução do castigo por parte do Comité de Apoio da FIFA. Em cima desse disparate, o disparate maior de relativizar um assunto desta importância – e vai daí Santos protagonizará a figura do seleccionador (um bocadinho treinador) e Ilídio Vale será o treinador das horas suplementares. Tanto disparate em tão pouco tempo!

JARDIM DAS ESTRELAS - ****

Bom “clássico” e fim dos Fundos

O clássico de ontem em Alvalade foi um bom jogo: o Sporting impôs altíssimo ritmo na primeira parte, marcou um golo e poderia ter chegado ao intervalo com outra vantagem. O FC Porto respondeu no segundo tempo, com Lopetegui a mexer bem na equipa e, a partir de certa altura, qualquer um dos contendores criou oportunidades para chegar à vitória. Mas o que fica é o registo de uma intensidade competitiva que se deveria ver mais vezes no campeonato português.

Destaque também, neste espaço, para as posições da UEFA e da FIFA em relação aos fundos de investimento no futebol, que parecem ter os dias contados. É uma grande vitória! E, neste particular, destaque para a posição corajosa de Bruno de Carvalho, que se revelou contra a propagação desta praga, com claro prejuízo para a verdade desportiva.

O CACTO

A arbitragem voltou a estar no centro das atenções, em Alvalade. Lopetegui falou em 6 pontos retirados ao FC Porto, mas enganou-se nas contas. Existem prejuízos neste arranque da Liga, mas o exagero do técnico espanhol tem uma explicação: a pressão que está colocada em si próprio e que aceitou sem pestanejar.

Já agora, para benefício do jogo: é assim tão difícil fazer com que os árbitros levem o spray no bolso para a marcação das barreiras? São coisas simples que não deveriam levar tanto tempo a implementar...

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