Fejsa nas mãos de Jesus

Adicione como fonte preferencial no Google
Fejsa nas mãos de Jesus
Fejsa nas mãos de Jesus

1 - Com o passar do tempo tem assumido preponderância cada vez maior no comando da ação defensiva e, entre ter e não ter a bola, vai abrindo e fechando a porta da grande área. Utilizado com maior frequência depois da saída de Matic tem-se revelado cada vez mais preciso nas tomadas de decisão; certeiro na importância que dá ao espaço e não apenas ao homem; perfeito no modo como se sintoniza com os defesas (principalmente os centrais) e desempenha o papel de rede segura no trapézio de quem inventa à sua frente. Fejsa assimila ainda informação para preencher o disco rígido do conhecimento da função que desempenha. Para crescer e atingir nível de topo é imperioso que continue a ouvir os conselhos de Jorge Jesus; entenda a cartilha que orienta as ideias do mestre e se enquadre com o papel que lhe cabe na segurança e no equilíbrio de uma equipa com vocação conquistadora.

2 - Já é mais do que um mero lutador com encontro marcado com o esforço, que triunfa por insistência, comove por entrega e se torna relevante só por dedicação. Ao contrário de tantos outros que, numa tarefa fundamental para o coletivo, procuram apenas eficácia individual, Fejsa tem aumentado o peso relativo no Benfica de Jorge Jesus porque se engana menos nos caminhos; adivinha melhor as intenções dos adversários; intercepta sucessivas linhas de passe e continua a diminuir os erros de posicionamento e entrada aos lances. Está a consolidar-se como elemento que domina as regras dos terrenos que pisa e aborda cada lance não como ocorrência isolada mas como etapa de uma vasta cadeia de factos que importa entender e antecipar.

3Fejsa está a evoluir para o cumprimento dos deveres como segurança do edifício, contrariando a imagem daqueles elementos ruidosos, que trabalham, correm, perseguem, caem, batem e se julgam heróis apenas por fazerem o trabalho sujo. Mesmo sem obrigações artísticas, a técnica e a visão também contam onde tudo se decide no futebol. Por isso, a vida pode ser tormentosa para jogadores sem agilidade para dar critério à movimentação coletiva; sem técnica para resolver em espaços curtos nem talento para orientar o exército que é suposto comandarem. As grandes equipas já não suportam jogadores tão limitados. É esse upgrade que está a fazer com Jorge Jesus.

4 - Por estilo e dimensão, nunca será Matic; por menor qualidade e sentido de orientação, dificilmente atingirá o nível de Javi García; nunca poderá ser interlocutor dos maiores artistas (como é o sérvio) e não tem argumentos para atingir a patente de marechal no exército que serve (como faz o espanhol). Fejsa não fará entrar nos cofres da Luz os milhões (45 no total) que Manchester City e Chelsea deram pelos seus antecessores mas está enquadrado no clube, tem vontade de aprender e é dirigido por um treinador cuja varinha mágica é capaz até de transformar peças de pechisbeque em joias de alto quilate. Aos 25 anos, o sérvio tornou-se fundamental para o líder da Liga e principal favorito à conquista do título. Afinal, a águia tinha guardado um trunfo que, apesar de algumas limitações, pode revelar-se determinante nas contas finais do campeonato.

O fora-de-jogo de Tiago Caeiro

Errar é humano e esse é um bom princípio para compreender e tolerar as falhas dos árbitros

No Restelo, um juiz assistente anulou um golo a Tiago Caeiro por fora-de-jogo que não existiu. Se a presença de Kay interferisse na jogada (mas até isso está provado que não aconteceu) quem tinha a obrigação de sancioná-la era o líder da equipa e não um subalterno. Quanto ao essencial da questão, é só isto: no momento do tiro de Tiago Silva que levou a bola até Caeiro, entre este e a linha de golo estava mais de meia equipa do Benfica – o guarda-redes e cinco jogadores de campo. Talvez por serem tantos o homem se tenha confundido escandalosamente.

Falta Fernando dizer se quer

Paulo Bento diz que não dará um passo para apressar a integração de naturalizados

Fernando está quase a poder representar Portugal. Depois de Deco, Pepe e Liedson, o médio brasileiro do FC Porto em breve satisfará os requisitos exigidos por Paulo Bento: ser um jogador com a situação burocrática resolvida. Em absoluto, a questão é mais delicada do que parece; mas se a leveza agrada a todos em nome do reforço da equipa o problema resolve-se num instante. Falta agora que Fernando manifeste o desejo de envergar a camisola das quinas. Se possível reincidindo na veemência com que, há anos, disse que o seu maior (e legítimo) sonho era jogar pelo Brasil.

William Carvalho é o maior reforço

Enquanto Fernando não chega (e vai chegar...), a Seleção Nacional fez enorme conquista

William Carvalho é o grande reforço do futebol português em 2013/14. Um médio-centro de dimensão internacional, cuja construção partiu de um conceito mais amplo – está agora a articular esse talento criativo com as obrigações junto dos elementos mais recuados da equipa. Chega aos lances centésimos de segundo antes de ocorrerem; inverte automaticamente o sentido do jogo; vai, vem e não perde posição; é imperial nos duelos individuais e não se deixa pressionar por ter uma equipa montada à sua volta. Se o duelo com Fernando é um sprint, já tem vantagem sobre o concorrente direto.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade