Fenómeno chamado Michelle

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Tem apenas 14 anos, mas é dona de um talento notável, suficiente - no entender de muitos especialistas - para a guiar até aos lugares mais altos do ténis feminino mundial. Estou a falar de Michelle Brito, uma perfeita desconhecida do grande público português, mas um nome obrigatório entre todos aqueles que, por cá ou lá fora, acompanham as incidências da modalidade.

Para uma nação que nunca conseguiu ter um verdadeiro ídolo das raquetas, pese todo o esforço de Nuno Marques, Cunha e Silva e companhia, é compreensível que o nome de Michelle ainda pouco ou nada signifique. Mas, creio não estar muito enganado se afirmar que, em breve, será uma das desportistas mais conhecidas entre nós. E nem o facto da jovem ter ido viver para os Estados Unidos com 9 anos me leva a mudar de opinião. Antes pelo contrário. Ela é tão portuguesa quanto todos os outros que não sentiram a necessidade de pegar na trouxa e ir à procura de algo diferente, de melhores condições para atingir o sonho. O meu único receio é que não resista, como tantos outros prodígios de diversas origens, à pressão dos norte-americanos para se naturalizar.

A América pode ter muita coisa má e errada (e eu considero que tem mesmo...), mas sabe moldar os campeões. Nos "States" há uma longa tradição de aperfeiçoamento dos talentos precoces. Michelle, a exemplo de tantas figuras mediáticas da história do ténis mundial, só tinha de ir atrás do seu sonhos. Foi e ainda bem. O esforço e aposta, da própria, da família (pais e irmãos estão ao seu lado desde o primeiro dia em que se fixou na Florida) e de quem avançou com as verbas necessárias para que tudo pudesse acontecer com naturalidade, começa a dar frutos. A sua história, embora obrigatoriamente diferente porque a levou a deixar Portugal muito cedo, faz-me recordar a de Ticha Penicheiro. De jovem basquetebolista desconhecida - quando se mudou para a Universidade de Old Dominion - a uma das melhores jogadoras de sempre o trajecto foi célere, embora carregado de dificuldades e de suor. E, já agora, de saudades, as mesmas que Michelle sente da avó, da restante família e dos amigos que deixou para trás, neste pequeno País que a maioria dos norte-americanos não faz a mínima ideia que existe, quanto mais onde se encontra. Nesta terra, onde, entre outras coisas, aprendeu a ver e jogar futebol.

A vitória, em Miami, na ronda inaugural do quinto torneio mais importante do planeta, não deixa margem para dúvidas. A portuguesa não engana: é uma estrela em ascensão. A norte-americana Shaughnessy, de 28 anos e actual 43ª colocada na hierarquia mundial, já sabe quem é a portuguesa de 14 anos. Todos nós vamos ficar a conhece-la melhor em breve. Aguardemos pelos próximos desempenhos (o seguinte é "só" contra Daniela Hantuchova, uma das mais temidas jogadoras do circuito mundial), sabendo, todavia, que Michelle é ainda uma miúda. Fenomenal, é certo, mas uma miúda...

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