Fernando Martins
Alguns intelectuais do Benfica chamavam-lhe “o pedreiro”, como forma de sublinhar o seu estilo terra a terra e a veia de construtor de esquinas concretas. Mas todos lhe agradeciam os títulos conquistados. Fernando Martins foi o último presidente a resistir ao grande assalto do FC Porto à hegemonia encarnada. E sempre continuou amigo do seu rival Pinto da Costa.
Os jogadores não gostavam da mão fechada sobre os salários da era Fernando Martins. O presidente privilegiava os grandes prémios de jogo e por objetivos. Os salários dos craques eram mantidos numa faixa estreita, internamente justa, mas comparativamente baixa, face aos outros dois grandes de Portugal. Só os prémios das épocas de glória davam aos craques de então substanciais incrementos no pé de meia ou nas bombas para acelerar vaidade. Na defesa do equilíbrio financeiro, Fernando Martins contava os tostões pagos a jogadores de grande classe, que já valiam milhões.
Também por isso Fernando Martins precisava de um constante tratado de Tordesilhas com Pinto da Costa, numa fase em que o Sporting ainda era muito forte mas já dava mostras da fadiga financeira, que depois desembocou no populista Jorge Gonçalves.
Quando Chalana encantou França no Euro’1984, o presidente tratou de o vender ao Bordéus. Com o muito dinheiro conseguido, fechou o terceiro anel e tornou o antigo Estádio da Luz num dos mais místicos do Mundo. A antiga Luz era uma verdadeira catedral, que a todos convertia pelo poder e majestade.
A poucos como a Fernando Martins terá doído a destruição do velho Estádio da Luz. Mas este era um homem de olhar em frente. Como sempre o vi fazer, até ao fim da longa vida.
