Figo e as contas com a história

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Quando Portugal chegou à Coreia do Sul para participar no Mundial de 2002, Luís Figo era apontado não só como o líder da equipa, mas também como um dos mais sérios candidatos a ser eleito como o melhor futebolista da prova. Como todos se recordam, do sonho à realidade a distância foi muito curta e cruel. Figo, fisicamente debilitado, nunca mostrou o seu real valor e a Selecção, perante o desespero nacional, foi afastada na fase inicial por causa das impensáveis derrotas com Estados Unidos e Coreia do Sul.

Quatro anos volvidos - depois de ter falhado a conquista do Euro'2004 por uma unha negra; de ter abdicado de representar o País e de ter voltado atrás nessa decisão -, Figo parece apostado em acertar as contas com a história. No ensaio com o Luxemburgo esteve em grande e com Angola voltou a ser o melhor entre os pupilos de Scolari.

Quem vê jogar o futebolista do Inter não se lembra da sua idade. A qualidade técnica, claro, continua intacta, mas a força, a velocidade ou a vontade de ganhar também não sofreram qualquer redução. Bem pelo contrário. Figo dá sinais de estar em condições de ser o verdadeiro líder da equipa, um capitão dentro e fora do relvado.

Pode dizer-se que Angola não é o melhor adversário para aquilatar da verdadeira capacidade de uma equipa com ambições. Concordo. Pode dizer-se também que a exibição lusa não foi brilhante. Claro que não foi. Mas creio que com Figo a este nível, Portugal tem toda a legitimidade de sonhar.

Convinha, já agora, é que os restantes futebolistas da Selecção demonstrassem a mesma disponibilidade de Figo. Com Angola, verdade seja dita, a maioria esteve "longe" do jogo (louve-se a segunda boa exibição consecutiva de Simão). Esperemos que tenha sido só uma jornada menos conseguida.

E já agora, convém acrescentar o seguinte: se os portugueses (jornalistas e não só) "exigem" prestações mais convincentes à Selecção é porque sabemos do real valor dos jogadores; é porque acreditamos que são dos melhores do Mundo; é porque não desistimos de pensar numa conquista ímpar. No entanto, o fulcral é mesmo ir ganhando. Se a rapaziada vencer os próximos seis jogos por 1-0, com exibições iguais à da estreia, garanto que nem um português ficará desiludido...

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