Figura da Semana: Joaquim Letria

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20 ANOS depois de ter estado na génese da sua fundação e de ter sido o seu primeiro director, Joaquim Letria volta esta semana à Direcção do “Tal & Qual”. Antes do 25 de Abril trabalhou na BBC, bem mais tarde chegou a presidente do Sindicato de Jornalistas, tendo desempenhado também funções como porta-voz do ex-presidente da República, Ramalho Eanes. Depois de um período afastado dos jornalismo, regressou com uma agência de comunicação empresarial. “República & Bananas”, o programa que apresenta na TVI, retirou-o definitivamente do exílio mediático. Benfiquista de alma e coração, Letria pretende ser o “manager” deste novo projecto

­ Porquê este regresso a um jornal que fundou há 20 anos?

- Primeiro, porque falaram-me ao coração. Depois, porque é um jornal que eu criei. Não resisti a mexer-lhe e tocar-lhe. Prefiro ser eu do que outro qualquer. Por outro lado, o desafio que me propuseram é muito tentador. Tenho feito jornais de raiz. Agora, agarrar num jornal que existe, que não está mal, que tem implantação, fazer-lhe as alterações necessárias não perdendo o público que tem e ir buscar outro é um exercício que eu nunca tinha tido cá em Portugal.

- O que podem esperar os leitores do “novo” “Tal & Qual”?

- O meu objectivo pessoal é as pessoas repararem que o jornal está melhor e não perceberem porquê. O público é conservador, não gosta de grandes mudanças e piruetas, que normalmente correspondem a mortes anunciadas. Portanto, isto é uma coisa muito cirúrgica. Aquilo a que me propus é que o “Tal & Qual” volte a ser o que foi, sem deixar de ser o que tem sido. Ao longo de 20 anos respeitou uma atitude e uma filosofia de publicação com altos e baixos, com alguns desvios, mas no essencial respeitou sempre isso. Talvez pela evolução dos tempos tenha deixado muito do que foram os primeiros anos do “Tal & Qual”. Penso, com uma linguagem de 2000, com técnicas e com expressão gráfica ir buscar esse mesmo espírito. E sobretudo voltar a fazer aquilo que é a vocação do “Tal & Qual”: contar histórias.

- O jornal vai investir em mais investigação?

- Mais investigação, mais rigor com a independência e irreverência que é a linha tradicional do jornal. Vamos piscar o olho aos mais jovens com uma secção própria: moda, objectos, cultura, música, gostos, prazeres. E uma zona para maiores de 18, de “curtição”, mas de uma maneira em que um chefe de família possa levar o jornal para casa, com coisas interessantes para ler, sem se envergonhar. É este equilíbrio, muito estimulante, que pretendemos. É um trabalho paciente. Estou a trabalhar nisto desde Outubro. Não espero nada de sensacional. É um bocado como o futebol: é preciso ganhar jogo a jogo.

- E o seu Benfica, como é que o vê actualmente?

- O Benfica está muito mal. Era precisa uma mudança como a que está a fazer o “Tal & Qual”: voltar ao que sempre foi sem nunca deixar de ser o que tem sido. Mas não vejo que isso vá acontecer nos tempos mais próximos, antes pelo contrário. É uma pena, porque lembro-me de o Benfica ser o que é hoje o FC Porto, fruto do trabalho de Direcções muito sérias. Os outros andavam à nora. Agora somos nós que andamos à nora e os outros estão organizados. Enfim, não podemos contratar Pinto da Costa.

- Em que estação gostaria de ver o próximo Sporting-Benfica?

- Gostaria de ver o jogo na estação que melhor trata a imagem e que melhor trata a informação. Se a SIC me prometesse que não colocava lá a Cinha Jardim, era capaz de preferir a SIC. Mas, no fundo, quero vê-lo no canal que pague mais ao Benfica, que bem precisa de dinheiro.

- Vai continuar a ser empresário de comunicação ou vai dedicar-se ao “Tal & Qual” a tempo inteiro?

- Não sou empresário de comunicação. Sou consultor de várias empresas e tenho compromissos com vários clientes. Por isso vou continuar. Trabalho com três pessoas licenciadas em Comunicação, que nunca trabalharam em jornalismo. Não tem nada a ver com assessorias mediáticas. É a nível de estratégia de comunicação. No fundo, tem muito a ver com aquilo que estou a fazer no “Tal & Qual”. Chamam-me director-geral. Mas o que venho aqui fazer é aquilo que os anglo-saxónicos chamam de “publisher”. Vou ter de controlar a circulação do jornal, analisar a distribuição, o “marketing”, as vendas. E também a redacção, porque as coisas estão ligadas e ainda não me esqueci de tudo por completo. Ainda sou capaz de dar uma ajuda no conteúdo do jornal. Mas as minhas funções ultrapassam em muito as de jornalista. É como um “manager” de um clube de futebol.

LUÍS NUNES

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