Figura da Semana: Rui Morrison

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Rui Morisson, reconhecido pelo grande público como um "homem da rádio" pelos êxitos de programas como “Rock em Stock” e “Morisson Hotel” regressa, sexta-feira, às salas de cinema com o filme "Mal", de Alberto Seixas Santos, onde desempenha o papel principal. O abandono da rádio deu-se há quatro anos e, actualmente, Rui Morisson divide-se entre a publicidade e o cinema. Semana a semana faz crescer a água na boca aos telespectadores com as "sugestões do sítio do costume" e também já deu voz a inúmeros documentários televisivos. Agora, diz-se de corpo e alma no cinema. Com 51 anos, casado e pai de quatro filhos, confessa que gostava de interpretar um papel num filme sobre o Benfica. É a favor da Benfica-SAD, mas assume-se como um crítico de Vale e Azevedo: "Devia pautar-se em conformidade com a grandeza do clube"

- Qual é o seu papel neste filme?

- Faço o papel de um antigo jovem idealista de esquerda, maoísta e que, ao longo da vida, foi rejeitando os seus ideais, tornando-se um advogado de negócios, em que a única coisa que lhe interessa é o dinheiro e as mulheres. É uma figura negativa, embora não totalmente má. A única coisa de que gosta mesmo na vida é da mulher.

- E como é que um homem da rádio troca a rádio pelo cinema?

- Não é uma troca da rádio pelo cinema. Enquanto estive na rádio fazia rádio e foi como homem da rádio que fiz a minha estreia no cinema. Agora, estou a fazer cinema e vou continuar a fazê-lo desde que surjam convites. Além do cinema continuo a fazer publicidade. O regresso à rádio, para já, não está nos meus planos.

- Sente-se mais à-vontade ao microfone ou em frente às câmaras?

- Sinto-me igualmente à vontade perante o microfone e a câmara.

- E quanto ao seu clube: o Benfica, principalmente este Benfica, não merece um filme?...

- O Benfica merece vários filmes. Não me importava de interpretar um papel. Um filme do Benfica terá de ser um filme épico, de glórias. Por sinal, no fim-de-semana passado foi de glória para o Benfica e muitos mais virão. Mesmo no meio destas tempestades, o Benfica é muito grande.

- E como vai vivendo no meio dessas tempestades?

- Com óbvia preocupação, mas ao mesmo tempo com a serenidade que é indispensável manter em situações como esta.

- Pró ou anti-SAD?

- Sou a favor da formação de uma SAD no Benfica. Mas ainda é preciso analisar melhor essa situação. Não estou devidamente esclarecido.

- Quer dizer que é um crítico da gestão de Vale e Azevedo...

- Sou muito crítico quanto à atitude pública do presidente do Benfica, nomeadamente ao seu estilo.

ESTILO...

Aquele estilo que se no “Jogo Limpo” da SIC, da semana passada , estilo "peixeirada". Foi uma representação pública do Benfica lamentável, quer por parte de quem tem responsabilidades na Direcção quer por quem tem responsabilidades como sócio. Não é assim que se fala do Benfica. Não se deve publicamente aceitar participar em situações como aquelas que aconteceram nos últimos dias nas televisões e que projectam uma imagem tão negativa do Benfica.

- Quer dizer que a imagem do Benfica está descredibilizada?

- São mais as vozes que as nozes. Não tenho tanta certeza que o Benfica esteja assim tão descredibilizado. A verdade é que o clube continua a negociar a compra e a venda jogadores com todos os clubes do mundo.

- Não acha que Vale e Azevedo se preocupa de mais com Pinto da Costa?

- Penso que Vale e Azevedo, nesse aspecto, preocupa-se com aquilo que se deve preocupar e também acho que deve fazê-lo por tudo o que o presidente do FC Porto tem feito nestes últimos 15 a 20 anos no futebol português.

- E o que é que ele tem feito nestes últimos 15 a 20 anos no futebol português?

- A ascensão de Pinto da Costa coincide, curiosamente, com a decadência do futebol português. Tendo havido um momento em que ele acompanhou os bons momentos do futebol português, como foi a Taça dos Campeões, a partir daí ele transformou-se a figura mais notória da decadência do futebol português.

- Voltando ao Benfica: o campeonato este ano está mais perto, é?

- Ainda é cedo. O Benfica tem neste momento as mesmas hipóteses que o FC Porto e o Sporting tem para se sagrar campeão nacional.

- Temos então um campeonato mais competitivo?

- Mais competitivo entre quem? Entre todos? Não, não temos nem está! Para mim isso é uma falácia. Não é pelo Campomaiorense ter ganho ao FC Porto ou o Gil Vicente ter empatado em Alvalade que o campeonato está competitivo. No fundo, a competitividade resume-se aos três grandes e de vez em quando há um "outsider" que aparece como o Boavista ou o V. Guimarães. Se houvesse competitividade, a distância entre o terceiro e o quarto classificados não era de seis pontos. Aliás, a competitividade para mim é uma falsa questão. Preocupa-me muito mais a qualidade do futebol que é muito má.

- Isto é: é a favor da redução de clubes na I Liga.

- Claramente. Era capaz de ser mais interessante um campeonato com 14 ou, mesmo, 16 equipas.

ODETE MARTINS

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