Figura da Semana: Rui Veloso

Adicione como fonte preferencial no Google
Figura da Semana: Rui Veloso
Figura da Semana: Rui Veloso

Rui Veloso está a comemorar vinte anos de carreira. Foi em 1980, com o álbum “Ar de Rock”, onde se incluíam as composições “Sei de Uma Camponesa” e “Chico Fininho” que se tornou o pai do rock português. Hoje, oito álbuns e vários discos de platina, depois, considera-se um homem mais calmo, mas nem por isso com menos vontade de fazer música. Por estes dias, viu ser lançado “20 Anos Depois - Ar de Rock”, onde as músicas do seu primeiro álbum voltam a ser interpretadas, agora por algumas das principais bandas da música portuguesa, desde os históricos Xutos & Pontapés aos mais recentes Clã.

- O que tem o Rui Veloso, hoje, a ver com o de há vinte anos?

- Acho que aprendi alguma coisa durante estes anos. Sempre são vinte anos. Basicamente, tenho mais alguma experiência, mas não sou assim tão diferente do que era.

- Quais foram os frutos das sementes lançadas com Chico Fininho?

- Para já, esta música popular, chamemos-lhe rock ou pop, veio para ficar. É óbvio que, para mim, também deu frutos porque ainda cá estou, com perspectivas de gravar mais discos e eventualmente até de as pessoas os comprarem e gostarem deles.

- Sabe quem é o seu público, hoje?

- Não sei. Sempre tive um público muito heterogéneo, até porque faço músicas de vários géneros. É um público dos oito aos oitenta, como o do Tintim.

- Olhando para trás, como avalia a sua carreira?

- Gostava de ter feito muito melhor. Essencialmente, gostaria de ter nascido uns vinte anos depois. As coisas estão muito melhores agora, a possibilidade de fazer um produto com qualidade é maior, especialmente em Portugal, porque há 50 anos já se fazia muito bom jazz e blues na América. Em Portugal, em 1980 não havia mercado, não havia nada.

- O futebol está mais atrasado em Portugal do que a música?

- Não está. Especialmente em termos de ordenados, até está muito mais adiantado. Mais a sério, tudo isto é fruto do país em que vivemos. Um país que não se preocupa com a cultura é fatalmente pouco evoluído. O futebol português é semelhante ao turco ou ao grego. Por vezes, pensamos que é igual ao espanhol ou ao italiano mas enganamo-nos.

- É benfiquista...

- Não sou. Já o fui há muitos anos, mas desliguei-me. Também não era muito “ferrenho”. Simpatizo com o Boavista porque era o clube lá do bairro, quando era miúdo e sempre lá está o João Loureiro, um ex-colega. Acho piada a isso. Basicamente não ligo ao futebol e o meu clube realmente é a selecção, a única que consegue unir toda a gente.

- O Boavista pode ser campeão?

- Acho que é possível, embora tenhamos de ser realistas: com o orçamento que o Boavista tem e os que têm os outros grandes, não é fácil.

- O que acha do Euro-2004?

- Acho que é um gasto excessivo. É inqualificável que num país que precisa de tanta coisa gaste tantos milhões com o Euro. Dizem que vão ser recuperados, mas acho que isso é uma mentira escrita em letras grandes. Não se vai recuperar nada. Vão gastar-se milhões e milhões para encher a vista não se sabe de quem. As autarquias queixam-se de que não têm dinheiro e, de repente, ele aparece. Sou absolutamente contra o Euro-2004.

Deixe o seu comentário

Pub

Publicidade