Francamente, Filipe
Filipe Soares Franco vai avançar com uma candidatura para a presidência da FPF. Dizem as notícias que tem o apoio do FC Porto e de alguns clubes do Norte, mas, ironicamente, não merece a “aprovação” do Sporting, o clube que dirigiu entre 2005 e 2009. Não é estranho?!...
Numa primeira análise, parece claro que o “madaílismo” tem os dias contados. É uma boa notícia. Só alguns sectores mais conservadores do futebol português, entre os quais se contam todos aqueles que defenderam a cristalização de uma Federação incapaz de impor novas lógicas e se modernizar perante as novas dinâmicas suscitadas pelas transformações operadas, nos últimos anos, nas sociedades hodiernas, são capazes de coabitar com a ideia de que a FPF sem Madaíl é a mesma coisa do que o Vaticano sem o Papa. Não é. Já chega. Mas...
Filipe Soares Franco é capaz de mudar alguma coisa? É preciso conhecer, primeiro, o programa, as pessoas de quem se vai rodear (Humberto Coelho para o futebol?) e as suas intenções, algumas das quais serão conhecidas ao fim da manhã de hoje. À falta de Madaíl (cuja útil convergência deu para alimentar muitos e bons anos de uma espécie de pacto de não agressão a Pinto da Costa), o FC Porto pode ver nesta aproximação a forma mais rápida de criar algumas dificuldades à candidatura de Fernando Seara, que goza do apoio do Benfica e de uma fação (importante) do Sporting.
Não vejo Godinho Lopes a apoiar Fernando Seara ou pelo valor programático, ou pelo valor carismático ou ainda pelo valor sistémico do autarca de Sintra. Vejo Godinho Lopes a apoiar Seara como forma de resolver um “problema” chamado Luís Duque, figura cada vez menos consensual na atual “nomenclatura leonina”. Se Seara se apoiar em Duque e se Duque achar que a sua continuidade em Alvalade corresponderá a uma “morte lenta”, por asfixia, é natural que Godinho Lopes aposte nesta solução.
As eleições para a FPF vão ser também interessantes nesse domínio: perceber como é que o Sporting (quem o representa) vai dirimir esta contenda entre Franco e Seara, com o mínimo de custos para a coletividade leonina, já tão devassada com a sua endémica falta de coesão institucional. Porque, entre os sportinguistas, a questão será sempre dividida entre “aqueles que estão a apoiar o adversário FC Porto” e “aqueles que estão a apoiar o adversário Benfica”. E a pergunta que se coloca é simplesmente esta: como é que Filipe Soares Franco (FSF) aceita candidatar-se à presidência da FPF sem o apoio do Sporting? É estranho. Tão estranho quanto achar que tem soluções para o futuro do futebol português, quando não foi capaz de as achar nem as propor quando foi presidente dos leões.
Não admira, pois, que Dias da Cunha veja com bons olhos a aproximação de Godinho Lopes a Filipe Vieira e vice-versa. Com Soares Franco não haverá “combate ao sistema” nem Manifesto(s), com particular incidência sobre a Arbitragem. Com FSF, os “poderes centralistas” continuarão a ser atacados e vilipendiados, como se eles ainda existissem.Pinto da Costa ainda... a somar.
