Futebol custo zero
Jovens e promissores. Não, não é uma referência ao novo Governo, onde a equipa também é de 11, mas à toada de contratações deste ano no futebol. O defeso ainda vai no adro mas o que há até aqui é poucas grandes vendas e não muitas grandes compras. A não ser de treinadores.
No Benfica, o máximo que se investiu até agora foi 6 milhões por um jogador - “Jovens, em final de contrato e com margem de progressão”, caracterizava ontem o Record. No Sporting, a grande transação foi Domingos. No Porto… Bom, já não há paciência para continuar a elogiar o Porto. Agora é a exportação do treinador, mais um negócio da China depois de um investimento baixo mas de risco alto – que compensou largamente, em títulos e no lucro. Segue-se outro treinador, outro número dois que passa a número um, outro investimento baixo de risco alto.
Estão os clubes de futebol a ganhar juízo? Na verdade, são mais os bancos que lhes estão a cortar o crédito (o Sporting como nenhum outro, mas todos sofrendo com os apertos da “troika”).
Ainda há lares com um azulejo antigo, de quando a economia era mais pobre, que diz: “Nem que ande na estica e nas calças com fundilhos, hei-de ajudar o Benfica, nem que roube o pão aos filhos!”. Lá o pão e os filhos é com cada qual, mas este ano não é preciso esperar pelo fim dos jogos para fazer o prognóstico: as empresas estão a baixar os patrocínios e a cortar nos camarotes; os portugueses, a braços com menos rendimento, estão a cortar no consumo, nos bilhetes, nas camisolas ou na Sport TV. Ou seja, menos receitas. E menos possibilidades de pagar salários de dezenas de milhares de euros a grandes craques históricos que já não jogam. Nuno Gomes podia ter sido melhor tratado. Mas foi, apenas, vítima da racionalidade. E ela é bem-vinda. Que fique por cá.
