Futebol de tanga

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Futebol de tanga
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“Não há muito dinheiro e terá de haver contenção”, dizia ontem Domingos Paciência, citado no Record. “Não há nada decidido em relação ao que vão ser as contratações... se é que vai haver (…) As dificuldades são muitas, nenhum clube tem muito dinheiro para poder comprar nesta altura. Domingos podia ser porta-voz de qualquer empresa em Portugal. Ou mesmo do Governo.

A tanga que um dia Durão Barroso disse existir no país estava colocada nos olhos, como uma venda coletiva. Agora que o noticiário diário nos traz mais e mais medidas de austeridade, a discussão já nem é se a culpa é dos mercados, do Governo ou de todos nós (coisa que, já agora, não é) – mas sim sobre quando é que isto passa. Passa devagar. E o futebol não foge à regra.

A sensatez de Domingos assenta os pés dos clubes de futebol na terra. Nesta terra, o que está a acontecer é uma busca de dinheiro, que se faz pela internacionalização, pela exportação, pela venda de ativos. Hoje mesmo, o Estado português está a vender quase tudo o que tinha na empresa mais valiosa que lhe restava, a EDP.

A falta de dinheiro para contratações é um reflexo do mesmo movimento: não é altura de comprar jogadores, mas sim de vender. Vender para pagar contas e dívidas. Porque a pressão que os bancos estão a colocar sobre todos aqueles que lhe devem dinheiro existe também sobre os clubes de futebol. Incluindo o muito endividado Sporting.

Nunca as competições europeias foram tão importantes como hoje. De cada vez que um clube português ganha um jogo fora do país, traz glória para os seus adeptos e capital para o país. Por isso, até os economistas mais indiferentes ao desporto torcem agora pelos nossos clubes.

Bom Natal!

PS: Eusébio internado? Melhoras rápidas ao Pantera Negra!

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