Futebol não é lixo
Os clubes de futebol, em Portugal, não têm “rating” da Moody’s. Se tivessem, eram todos lixo. Não há qualquer dúvida sobre isso. E no entanto, um desses clubes acaba de vender um ativo português por um valor admirável. Fábio Coentrão não foi o jogador do ano. Mas a sua venda é o negócio do ano.
Literalmente. A venda do jogador pelo Benfica é um negócio de arromba. Mesmo que não sejam exatamente 30 milhões de euros (mas talvez 20 milhões de euros em dinheiro mais um jogador avaliado em mais dez milhões), esta é a grande venda do ano, só rivalizada pela saída de André Villas-Boas do Porto para o Chelsea. Foi metade do valor, mas treinador não marca golos.
O negócio é, neste momento, uma raridade. As empresas portuguesas estão muito endividadas e pressionadas pelos bancos, o que as leva a vender ativos, e a venderem muitas vezes barato o que poderiam negociar caro. O Benfica resistiu até o negócio ser caro. A maior demonstração da grandeza deste negócio é de que ele é não apenas a maior transação do ano no futebol português. É um dos maiores negócios do ano em Portugal, em qualquer sector de atividade empresarial. A lista dos maiores negócios das empresas portuguesas cotadas em Bolsa é liderada por uma venda do Banco Espírito Santo no Brasil, seguido de uma compra da EDP em Espanha, estando em terceiro lugar a venda da Media Capital. Em quarto lugar nos negócios do ano está a venda de Fábio Coentrão. Um negócio que teve um investimento inicial baixo.
O Benfica já fez um grande negócio. Mas há sempre uma forma de estragar um grande negócio: usar mal o dinheiro que se “encaixou”. O que vai fazer o Benfica aos 20 milhões de euros? Eu, se gerisse o Benfica, pagava dívidas ao banco. Mas eu, obviamente, nunca ganharia campeonatos.
