Futebol para quem o merece

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Futebol para quem o merece
Futebol para quem o merece

1 O dérbi de Alvalade demonstrou uma vez mais de forma inequívoca a importância excessiva, e até inexplicável, que as direções de Sporting e Benfica atribuem às suas claques ou, para sermos mais precisos, aos grupos de malfeitores nelas integradas. Protagonistas de atos que roçam a barbárie, portadores de dizeres reveladores de um profundo desprezo pela vida humana ou meros veículos de mensagens que atentam contra os princípios mais elementares do desporto, são defendidos pelo silêncio ou veem as atitudes desculpabilizadas em nome de uma rivalidade tão cega quanto estúpida. Mas o que valem realmente tais personagens, se não têm força numérica para eleger ou derrubar presidentes e muito menos sustentar através do pagamento de quotas ou de bilhetes as entidades que dizem defender mas que invariavelmente acabam por insultar? Já é tempo de Sporting, Benfica e restantes clubes perceberem que os tempos mudaram. O adepto que gosta de futebol, e que está em esmagadora maioria nos estádios de uma forma bem mais recatado e menos ruidosa, foi evoluindo ao longo dos anos. É ele que deixa o dinheiro na tesouraria e é para ele, enquanto consumidor, que as marcas assumem o papel de patrocinadores e investem anualmente milhões de euros. Esse tipo de simpatizante continua, obviamente, a proferir impropérios nas bancadas – o futebol será sempre um escape –, mas já não se revê em guerras absurdas, iniciadas por causa da acefalia de meia dúzia. O consumidor de futebol segue e vibra com o clube do coração e preocupa-se essencialmente com isso. Deixou de ser frontalmente contra o adversário, pelo menos se tal atitude significar ódio ou hostilidade desproporcionada, pelo que ninguém lhe afaga o ego branqueando os disparates de uma minoria que, por mero acaso, até enverga as mesmas cores.

2 Passando a temas bem mais belos e entusiasmantes. No relvado, o Sporting, em desvantagem pontual, foi a única equipa que tentou realmente ganhar o jogo. O Benfica, utilizando uma vez mais a sua versão resultadista, acabou por alcançar o objetivo a que se propôs, continuando a liderar o campeonato, agora com 4 pontos de avanço sobre um FC Porto cada vez mais ameaçador.

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