Gabar a federação

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Quando Fernando Gomes entrou na Federação Portuguesa de Futebol, não mudou apenas um presidente, mas sim um estilo de gestão. Uma gestão profissional e orientada para resultados também financeiros. O jogo de ontem com o Gabão é mais uma prova dessa gestão. Mas também de como boa gestão não basta.

A federação não estava a precisar desesperadamente de dinheiro: a “caixa” estava tão cheia que Fernando Gomes pôde mesmo propor pagar dívidas antigas dos clubes ao Fisco (limpando a “herança” do Totonegócio). Mas ter muito não significa necessariamente ter tudo – como estar bem não impede de estar melhor. E foi assim que Fernando Gomes gizou projetos de investimento, como a “cidade do futebol”, financiados por receitas do futebol. Investir sem dinheiro a crédito, portanto. E foi assim que, entre outras coisas, a Seleção Nacional foi posta a render. E bem.

Para os gestores, o futebol é sobretudo um espetáculo, cuja qualidade enche estádios, gera audiências de televisão, vende camisolas e atrai patrocinadores. Para isso, é claro, é preciso que seja… um espetáculo bom. E ter uma Seleção que inclui Cristiano Ronaldo é meio caminho para atrair públicos. É por isso que há países mais ou menos remotos dispostos a pagar um punhado de centenas de milhares ou mesmo milhões de euros para jogar contra Portugal. Foi esse, agora, o caso do Gabão.

Acontece que Ronaldo, por causa de uma inacreditável agressão, não jogou. E acontece que quem jogou, jogou mal. O jogo foi paupérrimo. Portugal foi responsável por isso. E isso pode tornar-se vender gato por lebre. Por isso, não basta pôr a Seleção a render dinheiro. É preciso que ela renda em campo. Fernando Gomes não pode ser um bom gestor de um mau produto. Com franqueza, o “produto” de ontem foi mesmo mau.

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