Galopa Cavaleiro!
Que bom jogo se adivinha para esta noite, na Luz. O Sporting deixou no Dragão um sinal muito negativo sobre a capacidade de algumas das suas peças nos momentos mais decisivos. Adrien tem esta época de fixar a sua verdadeira dimensão. Não basta ter estilo e muitas potencialidades, é necessário ganhar bolas divididas, ser determinante no meio campo contrário, inventar espaço para bons remates. Tudo o que não conseguiu frente ao FC Porto.
A sistemática colocação de Wilson Eduardo na direita só pode significar que Leonardo Jardim privilegia os centros para Montero em detrimento dos remates da entrada da área. Compreende-se: os terrenos de crença de Wilson Eduardo são na esquerda, mas, aí, o seu lance predileto acaba com remate e não com assistência para o ponta-de-lança. Porém, custa ver um jogador decisivo no flanco esquerdo, arrastar-se pela mera normalidade no flanco oposto.
No lado do Benfica, o caudal de futebol envolvente retomou com o regresso de Matic e Enzo às suas posições da época passada. Jesus deixou de inventar e, desde aí, a equipa começou a carburar. O brilho pode acontecer quando a bola gira com facilidade entre jogadores que já se entendem de olhos fechados. Neste contexto, Ivan Cavaleiro começará a sentir alguma dificuldade para caber no onze. Mas Jesus não deveria recuar nesta aposta feita em clima de desespero. Ivan Cavaleiro tem um futebol radioso e envolvente, que merece oportunidades crescentes até explodir num grande jogo. O pára-arranca imposto nesta fase da carreira compromete para sempre o crescimento dos diamantes da bola. Cavaleiro tem velocidade, técnica e agressividade, merece o direito ao crescimento linear.
Um ambiente que o Benfica não criou, por exemplo, em torno de Nélson Oliveira.
P.S. – A seleção de Paulo Bento enfrenta a sua prova de fogo com algumas baixas significativas. Sinceramente, não é de temer grandes problemas se vier a confirmar-se a indisponibilidade dos laterais titulares. Antunes e André Almeida são bem mais seguros a defender do que os habituais donos dos lugares. Não são tão exuberantes a atacar, mas garantem outra solidez nos movimentos. E Wilson Eduardo merece já a titularidade. Será demasiada ousadia para Paulo Bento, ou não?
