Ganas de ganhar
Portugal joga hoje contra o Gana. As probabilidades estão todas contra nós. Todas. Só um louco pode achar que temos hipóteses de passar esta fase de grupos. Chamem-me louco.
Quase tudo correu mal nos dois primeiros jogos da Seleção Nacional. E uma das coisas que nos correu mal – além das lesões, inexplicavelmente sucessivas – foi o excesso de otimismo. Scolari nisso era um artista competente: baixava sempre muito a fasquia, para que os adeptos não se frustrassem mas provavelmente também para que os jogadores não levantassem os narizes. Mas desta vez, quando Cristiano Ronaldo disse à entrada do Mundial que este iria ser o ano de Portugal, ouvimos o que queríamos ouvir. Foi música para os nossos ouvidos. Mas era mesmo só música. Ter o melhor jogador do Mundo não chega. Muito menos quando ele está condicionado fisicamente.
Para o jogo contra o Gana, as expectativas não podiam estar mais baixas. Ronaldo já disse que somos médios. Humberto Coelho convocou uma conferência de imprensa de balanço do Mundial mesmo antes de ele ter terminado para nós, como se já estivéssemos condenados. Quase ninguém espera nada de hoje. Muito menos um milagre: vitórias com muitos golos de Portugal e da Alemanha.
Um louco achará que a Alemanha não vai jogar poucochinho para descansar. Um louco acreditará que a seleção do Gana vai acordar para o lado errado da cama. Um louco achará que Portugal, com a equipa de base desfigurada mas ao mesmo tempo menos comprometida com nomes supostamente “indiscutíveis”, jogará mais solto, mais confiante, mais goleador.
Ao menos isto resta-nos sempre: o sonho. Seria fabuloso que tudo corresse inesperadamente bem hoje a Portugal. Que Varela cabeceasse como contra os Estados Unidos, que William Carvalho estivesse tão seguro, que a defesa fechasse os caminhos à velocidade dos adversários, que Ronaldo esfregasse a sua qualidade na cara dos seus críticos, mais alarvemente satisfeitos com as más prestações do “playboy”. Que ganhássemos. E que na próxima semana aqui se pudesse escrever: ganharam os loucos.
