Ganhar eficácia
O Benfica de Jesus foi, nos últimos anos, uma equipa de futebol avassalador. Em 90% dos jogos, a questão não era ganhar mas, sim, saber por quanto. De jornada para jornada, o que variava era a nota artística. Com alas rápidos e muito dinamismo, as equipas adversárias eram obrigadas a dar espaço e, pelo caminho, facilitavam o trabalho aos centro-campistas. O ano passado, por exemplo, Matic e Enzo beneficiaram muito da inclinação atacante de Salvio e Gaitán. O Benfica 2012/13, até morrer na praia, foi mesmo prova de que a melhor defesa é o ataque.
Mas se o futebol atraente era a principal força do Benfica, era também a sua principal fraqueza. Uma coisa era jogar à beira do precipício na maior parte dos jogos do campeonato português, outra, bem distinta, era jogar o mesmo futebol contra equipas mais competitivas. Não por acaso, o Benfica de Jesus tem um registo medíocre contra as outras duas melhores equipas dos últimos anos – Porto e Braga. Em jogos a doer, o Benfica tinha problemas para impor o seu jogo ou, como aliás lembrou Vítor Pereira, optava por alterar o seu modelo tático, de forma a adaptar-se. Em qualquer dos casos, a probabilidade das coisas correrem mal era (foi) elevada.
Este ano, Jesus parece estar a querer abdicar dos seus princípios de jogo, trocando dinâmica atacante por organização defensiva. Mesmo que possa ter sido consequência de lesões, a opção pela dupla Matic/Fejsa no meio, a deslocação de Enzo para a faixa, bem como a titularidade de Djuricic, enquanto equilibram a equipa, tornam-na também menos entusiasmante. Aliás, com consequências para o futebol de alguns jogadores: Matic, a jogar mais adiantado, perde em exuberância individual o que o coletivo ganha em consistência.
Depois de ter falhado três anos com uma equipa construída para jogar de forma exaltante, Jesus parece estar a querer trocar espetacularidade por consistência. Até os adeptos se habituarem, os jogadores vão ter de se acostumar aos assobios. No fim da época, pode ser que os assobios deem lugar a festejos.
