General inverno

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Hoje é dia de o Benfica tentar seguir em frente na Liga dos Campeões. Em tempo oportuno – com confortáveis cinco pontos de avanço – aqui alertei que a Europa pode definir o campeão português. Derrotados em Manchester, os portistas só têm o campeonato como alvo para onde apontar. Ao contrário, a longa viagem até temperaturas muito abaixo de zero está a tornar Jesus um moderno Napoleão (passe o óbvio exagero do elogio), perdido no inverno russo. Hoje, os jogadores que perderam em casa frente ao grande rival do Norte vão poder responder à pergunta – valeu a pena? Terá valido a pena todo aquele esforço em S. Petersburgo, por onde se esboroou a confortável vantagem sobre o FC Porto? Têm hoje a palavra os jogadores.

E um técnico que, nos jogos grandes, parece acometido de uma desconhecida doença oftalmológica – miopia tática.

Jesus, um instantista, por ali anda, perdido na cultura da imagem junto à lateral, sem curar do seu excelente instinto.

No jogo frente ao FC Porto, não colocar pressão sobre o improvisado lateral, Djalma, foi uma imperdoável distração. E lançar Nélson Oliveira a dois minutos do fim só veio acrescentar provas de que Jesus chegou da viagem à Rússia ainda pior do que os seus jogadores.

O Benfica pode perfeitamente ganhar hoje. Mas cada vitória na Europa afastará mais os encarnados do título nacional que, há 15 dias, parecia tão próximo.

P.S. – Villas-Boas é um homem inteligente e aprende com os erros. Não voltará a pensar apenas nos ganhos monetários de um contrato, mas também nos valores envolventes. Quem só pensa no que vai ganhar, vence pouco. Numa guerra é preciso poder escolher os líderes do exército. O jovem técnico descurou prudência e sabedoria.

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