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28 fevereiro 2014 - 00:28

Gerir o sucesso

Paulo Fonseca não estava preparado para assumir um desafio da envergadura do FCPorto...

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Basta uma época menos boa do FC Porto que rapidamente aparecem os arautos do “fim de ciclo”. Um filme que se repete ao longo dos anos e que termina sempre da mesma maneira: com o FC Porto a ganhar novamente. É nos momentos difíceis que se vê a força do portismo, em que o clube se une, reage e volta a erguer. E a ímpar liderança de Pinto da Costa faz e fará toda a diferença.

Num clube habituado a ganhar muitas vezes, com grande rotina de vitórias no campeonato (sete nos últimos oito anos), o risco de aparecer uma má temporada é sempre maior. Porque abre espaço a excessos de confiança, dificulta a motivação do plantel e pode permitir uma certa descompressão que se paga caro em alta competição. Gerir o sucesso é ainda mais difícil do que tentar inverter o insucesso (porque neste caso há uma fase em que é difícil fazer pior).

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Junte-se a isto o facto de, na última década, o FC Porto se ter tornado num clube exportador de talentos para alguns dos principais clubes da Europa, facto que, ainda mais em ano de Mundial, parece mexer com a cabeça de alguns jogadores. E lidar com um plantel de 25 atletas com diferentes expectativas, nem sempre focados a 100% nos objetivos do clube, torna-se uma tarefa nem sempre fácil de levar a bom porto.

Paulo Fonseca é um treinador talentoso, com boas ideias e que subiu na carreira a pulso, com o sucesso que se conhece, sobretudo no Paços de Ferreira. Ninguém lhe pode criticar a legítima ambição e o sonho de vingar no Dragão. No entanto, mantenho a ideia de que não estava preparado para assumir um desafio da envergadura do FC Porto, precisamente pela falta de cultura de clube grande e inexperiência em lidar com um plantel recheado de “egos” e jogadores com estatuto superior aos que treinara antes.

O técnico demorou muito a definir uma equipa base, sendo que ainda não conseguiu implementar um futebol fluído e compacto, na defesa e no ataque, capaz de inspirar confiança ao mais fiel dos adeptos. E a insistência na inversão do triângulo do meio-campo, posicionamento a que os jogadores não estavam rotinados, também contribuiu para prender a equipa numa inércia pouco habitual.

Face às capacidades do plantel, o FC Porto está a apresentar um rendimento abaixo do esperado. Mais do que ninguém, Pinto da Costa tem a noção disso e tem todo o crédito dos portistas para decidir quando e como fazer para guiar o clube novamente às vitórias. Por muito que os adeptos pensem no imediato, a sustentabilidade do clube tem de ser pensada a médio e longo prazo, pelo que os timings das decisões, no que concerne à gestão do plantel e treinadores, nem sempre compreendidos, não podem ser acontecer por impulso. Há que estudar e avaliar bem as apostas que se fazem.

Como qualquer ser humano, Pinto da Costa também erra. Mas falha menos do que os outros. A capacidade de intuição acima da média permite-lhe acertar muitas vezes. Em cada dez treinadores que contrata, oito acabam por ser campeões, o que acaba por constituir uma taxa de êxito extraordinária que nenhum outro dirigente em Portugal alcançou.

O presidente do FC Porto sabe que os portistas querem mais. Tal como ele. Estão desiludidos e chateados com o futebol da equipa. Tal como ele, que está pronto para dar o corpo às balas e defender equipa e treinador com todas as forças, exigindo-lhes atitude, garra e dentes cerrados. É o que define o jogar à Porto. Em Frankfurt, esse FC Porto apareceu no fim. Com as tropas unidas e motivação ao máximo, novamente se calarão as cantigas do fim de ciclo.

O CRAQUE

Uma lenda que partiu

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A vida tem destas ironias. Em menos de dois meses, o futebol português perdeu duas grandes lendas. Mário Coluna foi um jogador extraordinário. Um líder soberbo que, pela sua capacidade técnica e visão de jogo, catapultou o Benfica e a Seleção Nacional para grandes exibições e vitórias. Era um pêndulo e uma voz de comando que jogava e fazia jogar, uma referência para os companheiros. Coluna teve uma postura sempre exemplar, dentro e fora dos relvados, e deixa um importante legado no nosso futebol.

A JOGADA

A arte da maledicência

O FC Porto está a tornar-se num alvo. De outros clubes e instituições do futebol nacional. Tudo e qualquer coisa serve para falar mal do clube e instigar desordem, sem pudor e critério. Se é do FC Porto, é mau. É este o espírito e a mensagem que algumas mentes querem fazer passar, aproveitando a fase de menor fulgor desportivo que o clube atravessa para dirigir esses ataques. Se for construtiva, a crítica é sempre bem-vinda. Agora, desenganem-se aqueles que pensam fazer do clube um saco de pancada. A esses, a resposta costuma vir, mais cedo ou mais tarde, com vitórias no relvado.

A DÚVIDA

Teremos Hélder Postiga?

Emprestado à Lazio em janeiro, Hélder Postiga ainda não alinhou um único minuto pela equipa italiana. E fala-se que estará a contas com uma lesão grave que o impedirá de jogar por muito tempo. A confirmar-se, trata-se de uma má notícia para Paulo Bento, que ficará privado do seu ponta-de-lança titular da Seleção. Seria uma baixa de peso para Portugal atacar o Mundial’2014. Será que vamos ter Postiga a 100% no Brasil? Entre Hugo Almeida, Nélson Oliveira e Éder, quem o poderá substituir melhor?

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