Godinho Lopes num beco sem saída
Está a estreitar-se o caminho de Godinho Lopes como presidente do Sporting. Nestes momentos de crises desportivas há sempre a tentação de “apontar o dedo” ao treinador e, na quinta-feira, no momento das substituições e no final do jogo com o Basileia, foram já muitos os remoques a Ricardo Sá Pinto. Porque a equipa não apresenta resultados. Porque a equipa nem sequer joga futebol.
Acontece que Sá Pinto é um produto da “corrente sanguínea” genuinamente leonina. É alguém que, pelo seu passado e ligação ao Sporting, partia para este novo ciclo com um amplo “benefício da dúvida” concedido por sócios e adeptos. Sá Pinto já havia sido contratado para os juniores dos leões com a perspectiva estratégica de poder avançar como porta-bandeira do (verdadeiro) “espírito do leão”, se algo falhasse com Domingos Paciência.
Temos, portanto, “dois em um”, isto é, dois treinadores que foram contratados por Godinho Lopes e pela SAD do Sporting, um que falhou e outro que... está a falhar. Temos, portanto, uma dupla responsabilidade de Godinho Lopes e daqueles que, directivamente, são a imagem do “futebol do Sporting”. Os falhanços de Domingos Paciência e Ricardo Sá Pinto são, em último análise, parte substancial do falhanço de Godinho Lopes e da equipa que escolheu para o acompanhar.
O que vai acontecer primeiro: eleições (antecipadas) ou o sacrifício de Sá Pinto? A situação a que o Sporting chegou, financeira e desportivamente, obrigaria à escolha de um treinador forte. Esse será o próximo passo de Godinho Lopes, se tiver tempo para isso.
Com a constituição das SAD e de outras sociedades, todas a cavalo da força social e do impacto mediático da mais bela modalidade do Mundo, os clubes desportivos foram-se afastando do objecto que deveria estar subjacente à sua existência – a capitalização das equipas de futebol e suas estruturas adjacentes. As SAD, em Portugal, foram anunciadas como o começo de uma nova era. A era da transparência e do funcionamento dos clubes como empresas. Reduzindo a capacidade de intervenção dos mecenas e o carácter familiar das direcções, sujeitas a impulsos totalitários, propagandeou-se o conceito de profissionalização e, com ele, a rentabilização dos activos para diminuir passivos. Este foi o oásis prometido por José Roquette, um dos maiores “padrinhos” das SAD e, passados todos estes anos, conclui-se, o maior coveiro do “Sporting-enquanto-clube-de-futebol”.
A “herança Roquette” ainda está muito presente no Sporting. Godinho Lopes não representa a ruptura. E o Sporting precisa de “limpar” Alvalade. Com novas pessoas. Com uma nova mentalidade. Em clima de refundação para... começar tudo de novo.
