Golpe no Sporting
É uma guerra. Uma guerra de guerrilha. A sublevação da assembleia geral do Sporting, num movimento liderado por Daniel Sampaio, contra a direção do clube, de Godinho Lopes, é um golpe institucional.
Possivelmente, a lei impedirá o “movimento” da assembleia geral. Mas também não impedirá o movimento de desagregação do clube.
Já aqui escrevi: o problema do Sporting não foi causado por Godinho Lopes, que herdou uma situação financeira e desportiva descontrolada. Mas o presidente foi incapaz de resolver o problema, revelando ademais falta de capacidade de liderança.
Dito isto, é difícil de compreender que se queira defenestrar Godinho Lopes do Sporting violando a letra e provavelmente o espírito dos estatutos do clube, começando pela falta de equidistância que supostamente a assembleia geral tem de representar. Contra a falta de golpe de asa de Godinho, uma golpada da assembleia geral?
Tudo isto acontece numa altura em que aparece um plano B no Sporting. No relvado, a equipa parece ter começado a ganhar tino. Nas finanças, há um projeto que inclui um perdão de dívida pela banca. Um perdão de 60 milhões, além de uma nova extensão de prazos e baixa do juro cobrado. Caído do céu. Mas dependente de uma injeção de 40 milhões. Isto quer dizer que o projeto de encontrar um investidor que trouxesse 100 milhões de euros fracassou. O mesmo valor será conseguido de outra forma, se o for: 60 milhões perdoados, 40 milhões investidos. Alguém investe?
Veremos. O rumo do Sporting continua sinuoso. Godinho Lopes tem rédea solta e vida curta, que só poderá estender se, além de ter encontrado Jesualdo, encontrar um russo ou um árabe que passe cheques. Sem dinheiro, o Sporting está e continuará em maus lençóis. E passará da assembleia geral para a assembleia de credores.
