Guimarães ameaça Lisboa
À condição ou não, a verdade é que o Vitória de Guimarães fez o que lhe competia (venceu uma equipa à deriva e já condenada) e galgou para a segunda posição da Liga. Benfica e Sporting correm cada vez mais riscos de falhar o segundo lugar na prova e, consequentemente, o acesso directo à milionária Liga dos Campeões da próxima temporada.
Se é verdade que águias e leões estão muito longe do rendimento que se devia exigir a conjuntos teoricamente recheados de grandes valores, creio ser justo realçar a carreira sensacional que os vimaranenses estão a fazer, avaliação que, aliás, deve ser estendida aos homónimos de Setúbal.
Em Portugal, ninguém estava habituado a ver a "ditadura" dos três grandes ser colocada em causa por "intrusos". No entanto, com excepção feita ao FC Porto, parece que a diferença de potencial (ou pelo menos de eficiência) entre os rivais de Lisboa e os chamados emblemas de "segunda linha" está a diminuir a olhos vistos. E a constatação não se faz apenas tendo em conta os resultados desta época. Não é de agora que benfiquistas e sportinguistas começaram a ser surpreendidos por clubes que, há duas décadas, só pensavam em sair da Luz e Alvalade com derrotas por poucos.
Seja em casa (Benfica) ou fora (Sporting), os colossos da capital sentem cada vez mais a pressão alheia. Longe vão os tempos em que muita gente dizia que o Campeonato só precisava de ter 8 ou 10 equipas, face ao desequilíbrio verificado. Tendo em conta o actual cenário, continuo a defender que a Liga bem podia ter mais dois clubes. Não só não se perdia nada, como até se ajudava mais dois clubes a ganhar uns cobres com as transmissões televisivas, bem como com as visitas dos clubes mais famosos.
Se eram precisos mais exemplos para confirmar que, por agora, pouco separa os vizinhos de Lisboa dos emblemas que lutam pelos últimos lugares, basta recordar que a sofrível equipas do Leiria, que "desceu" a meio da prova, saiu de Alvalade e da Luz... com empates!
