Há espaço para acreditar
Benfica e FC Porto entraram com o pé direito na nova temporada europeia. Nem tudo foi perfeito e é visível que as máquinas ainda estão a afinar, mas é sempre importante começar a vencer, dando embalo e moral para os confrontos seguintes, que terão, garantidamente, um maior nível de exigência.
Em Viena, o FC Porto cumpriu a sua obrigação e venceu o adversário teoricamente mais acessível do seu grupo. Bem se pode dizer que foi melhor o resultado que a exibição. O Austria Viena tinha a lição bem estudada, foi uma equipa organizada e soube povoar o seu meio-campo, criando dificuldades aos portistas que foram forçados a cometer erros e não conseguiram fazer o seu jogo interior e habitual circulação de bola.
Numa competição internacional como a Liga dos Campeões, a inexperiência costuma pagar-se caro. E numa equipa com tantas estreias a este nível, a começar pelo próprio treinador Paulo Fonseca, foi importante que jogadores de maior “traquejo” como Lucho, Fernando e Helton (por sinal, os três capitães) tenham assumido a responsabilidade de estabilizar a equipa e incutir maior agressividade no ataque.
Vencendo em Viena, o FC Porto tem agora uma primeira possibilidade de resolver as contas do apuramento a seu contento. Os próximos dois jogos com Atlético Madrid e Zenit realizam-se no Dragão e, apesar da tarefa árdua que se prevê em cada um deles, se os portistas tirarem partido do natural favoritismo de jogarem em casa, poderão começar a ver os oitavos-de-final mais perto.
O Benfica também superou o adversário mais fraco, na teoria, do seu grupo. A equipa da Luz efetuou uma exibição segura, revigorada com a entrada do médio Fejsa, que se juntou a Matic para dar mais estabilidade defensiva aos encarnados. Esta dupla dá mais músculo ao meio-campo benfiquista, sem desprezar a construção de jogo, e apesar de ainda ser necessário limar algumas rotinas, promete trazer maior equilíbrio, no centro do terreno, em jogos de maior complexidade como aquele que se aproxima com o PSG.
Com uma entrada forte, dinâmica e de pressionante, o Benfica conseguiu resolver a partida no primeiro tempo, sem dar muito espaço para o Anderlecht responder. Pela primeira vez, esta época vimos as águias serem mais rápidas na recuperação de bola e a exercer uma pressão alta sobre o adversário. Uma mudança de atitude que permitiu criar vários lances de perigo e ter o jogo na mão.
No entanto, a segunda parte deixou indicadores menos positivos nos quais e deve refletir. O Benfica continua a registar algumas distrações defensivas que podem ser fatais em determinados jogos, sendo que as laterais continuam a ser uma zona frágil. Por seu lado, a produtividade do ataque não tem correspondido às várias oportunidades de golo que a equipa consegue criar, o que poderia dar maior tranquilidade ao jogo das águias.
Com um bom resultado em França, Jesus poderá ter no duplo confronto seguinte com os gregos do Olympiacos, dois jogos chave na caminhada para a fase seguinte. Águias e dragões colocaram-se, para já, em posição privilegiada para atingir os seus objetivos. E se tivermos em conta que ambas fazem parte do núcleo restrito de 8 equipas que não sofreram golos nesta ronda inicial da Liga dos Campeões, podemos dizer que estão preparadas para o desafio. Sem menosprezar os adversários, há espaço para acreditar.
O CRAQUE
Criatividade é com ele
Em poucos jogos, o sérvio Markovic começa a confirmar todas as credenciais com que chegou a Portugal. Rápido, criativo e com faro de golo, o benfiquista tem tudo para se afirmar no futebol português. É capaz de resolver partidas sozinho, mas também se assume como um jogador do coletivo. O seu virtuosismo impressiona quem gosta de futebol e apenas lhe faltará maior consistência e regularidade durante os 90 minutos de cada partida para que atinja uma posição de maior destaque. É jovem (19 anos), pelo que tem margem para crescer muito mais nos próximos anos.
A JOGADA
Um desfecho inevitável
De modo cirúrgico e eficaz, o Real Madrid resolveu o potencial problema interno que se podia gerar com os milhões que o clube aplicou na contratação de Gareth Bale. A renovação de Cristiano Ronaldo faz dele o futebolista mais bem pago do Mundo e reforça o estatuto de principal estrela dentro do balneário merengue. Trata-se de um investimento com retorno garantido, financeira e desportivamente. Esta semana o jogador voltou a prová-lo, ao tornar-se o 4.º melhor marcador de sempre da Liga dos Campeões. E não se ficará por aqui…
A DÚVIDA
A boa forma de Elias
Face ao montante investido pelo Sporting na sua contratação (11 M€), o brasileiro Elias gerou fortes expectativas nos adeptos leoninos, mas acabou por não ter o rendimento esperado em Alvalade. E perante a necessidade do clube em reduzir custos salariais, o empréstimo ao Flamengo acabou por ser a solução encontrada. Curiosamente, o jogador parece regressar às boas exibições. Foi incluído na equipa ideal da primeira volta do campeonato brasileiro e até já se fala no interesse do Corinthians. Por que não singrou o atleta em Portugal? Irá o Sporting a tempo de recuperar parte do que gastou nele?
