Há Porto à Porto?
A situação de Vítor Pereira no comando técnico do FC Porto começa a ser insustentável. A equipa não joga nem metade do que mostrava na época passada e, perante milhões de testemunhas, Vítor Pereira aparece no final do jogo a lançar elogios à atitude, ao futebol mostrado, dizendo que “tentámos tudo”. Mas este Porto só é plural no verbo. Quando alguém tenta, os outros ficam a ver, incrédulos em que a coisa corra bem. “Tentámos”? Quem?
Aliás, a chave do problema não está no tentar. Falta assertividade. Parafraseando Pessoa, a vitória é de quem a conquista e não de quem sonha conquistá-la – admitindo a remota possibilidade de alguém de azul e branco conseguir sonhar, embora pareça que, por ora, neste FC Porto ninguém pode ir além do pesadelo.
Entre o discurso de Vítor Pereira após aquele deserto de futebol mostrado em Olhão e a realidade que os adeptos tinham acabado de ver vai uma óbvia metáfora como o delírio do ministro da propaganda de Saddam. Ele que anunciava vitórias iminentes das suas pobres tropas a um mundo sintonizado no avanço americano sobre Bagdad.
Vítor Pereira já não pode ter espaço para discursos tão desfasados da realidade. E a dura realidade portista esta época é um grupo de jogadores sem dinâmica coletiva, onde até craques com a dimensão global de Hulk se afundam no campo e no valor de mercado.
Tudo é telegrafado no transporte de bola. O FC Porto está uma equipa previsível, descrente, amorfa.
Perante falhas e insegurança, qualquer adversário se torna temível. Então, o azar instala-se nas costas dos mais dotados, tanto num mero passe lateral, como num decisivo penálti.
Por erros próprios, o cerco a Vítor Pereira está fechado e aperta. Pinto da Costa deve aprender que não nascem dragões alados debaixo de cada pedra.
