Hino ao futebol

Adicione como fonte preferencial no Google

Acabei de ver a transmissão do Chelsea-Liverpool, embate referente à segunda "mão" dos quartos-de-final da Liga dos Campeões, e se é verdade que me sinto algo cansado com a velocidade colocada em campo pelas duas equipas, teria gostado (e seguramente que não seria o único) de, pelo menos, ver mais 30 minutos deste futebol. Sim, deste futebol: ofensivo, recheado de oportunidades e golos, de parada e resposta, de pensamento virado para a frente e não para as estratégias superdefensivas que, ao longo dos tempos, foram ganhando adeptos por todo o Mundo.

Tenho dúvidas que um jogo de futebol tão electrizante, nesta prova e numa fase tão adiantada, pudesse ser protagonizado por equipas de outras paragens que não a Inglaterra. Não estou com isto a dizer que, por agora, sejam os britânicos quem melhor futebol pratica no Velho Continente. Pessoalmente - e mesmo dando de barato que de início não acreditava nas ideias de Guardiola -, considero ser o Barcelona a equipa mais forte da Europa. Mas, um espectáculo assim, tão empolgante e com os dois emblemas a ajudar à festa, dificilmente poderia ter lugar noutro local.

Se há coisa que os ingleses gostam de se orgulhar é de ter "inventado" (ou "descoberto") o futebol. E têm, de facto, razões para se sentirem felizes com isso. É que para eles, para os que entram em campo e para os milhões que se deliciam com o que se passa dentro das quatro linhas, o futebol não é apenas um negócio, um desporto, um entretenimento. É, antes do mais, uma paixão, uma ligação que chega a parecer irracional e que dura praticamente a vida inteira. Só em Inglaterra se observam tantas mulheres e crianças nas partidas; só nos jogos dos emblemas britânicos vemos legiões de adeptos a acompanhar as suas equipas por tudo quanto é sítio; só na Grã-Bretanha os jogos da segunda e mesmo da terceira divisão registam enchentes consecutivas, de fazer inveja a muito boa gente, inclusive a clubes ditos grandes. Lá, por exemplo, nunca houve, nem vai haver, crises de militância.

Já o disse e repito, os ingleses são dos poucos adeptos mundiais que, sem reticências, gostam verdadeiramente de futebol. Por isso conseguem cantar e aplaudir a sua equipa na hora das derrotas; por isso são incapazes de resistir a olhar para uma televisão quando passa um qualquer jogo. Para eles, é indiferente quem joga. Se é futebol, é bom, tem interesse, "mexe" com eles.

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade