Holofotes para Jesus

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Holofotes para Jesus

Jorge Jesus tem uma equipa a jogar como nunca, com um futebol torrencial no ataque e uma solidez defensiva ímpar no já longo consulado do técnico. Em momentos de vitória, no banco ou no final dos jogos, o treinador do Benfica continua com graves problemas de controlo emocional. As reações de Jesus tornam-se sempre mais exuberantes quando a sua equipa está a ganhar. É nas situações de vitória que Jesus mais gesticula e aparece toldado pela tensão. Numa análise deste padrão, dir-se-ia que, nos momentos de sucesso, Jesus tenta puxar para a sua figura o protagonismo que deveria caber aos jogadores.

Ao contrário, por exemplo, de Mourinho, que chama os holofotes para si nas situações mais difíceis para os seus jogadores, Jesus não resiste à tentação das luzes. É quando tudo está bem, quando o futebol rola empolgante, que Jesus saca das suas principais rábulas.

É por isso que, quando devíamos estar a falar da excelência atingida por Luisão como grande líder da equipa, ou da qualidade intensa do jogo atingida por Rúben Amorim, em Londres, o que não sai da cabeça dos adeptos e comentadores são aqueles gestos, ora ridículos, ora agressivos, com que Jorge Jesus chamou as câmaras de televisão para si.

Só o jogo de 2.ª feira com o Nacional mostrará se o descontrolo do líder deixou marcas negativas no coletivo. O caminho é já tão curto e todos estão de tal forma determinados numa caminhada para o título, que não parece possível a persistência de sequelas provocadas por aqueles segundos de histeria em que Jesus grita, empurra, intimida, vários membros do banco do Benfica. Primeiro o seu braço-direito Raul José, depois Shéu, e depois mesmo Rui Costa – superior hierárquico de Jesus no organograma do futebol do Benfica.

Em Londres, ficou a ideia de que Jorge Jesus, a surfar a onda do sucesso proporcionada pela excelência do futebol dos seus jogadores, quis dar umas pinceladas de Special One e assim ficar para a história do jogo. Mas falhou o objetivo. O que fica na memória não passa da imagem de um treinador veterano à beira de um grosseiro ataque de nervos.

P.S. – O FC Porto já parece outro. A equipa surgiu frente ao Nápoles arrumada e com os jogadores disponíveis para sofrer em conjunto. Com um Sporting mais fraco mas mais repousado e este FC Porto renovado, o jogo de amanhã promete muita emoção e um interessante duelo tático.

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