Hulk vs. Ronaldo
É difícil não nos babarmos com o regresso estelar de Cristiano Ronaldo, nimbado pela liderança de José Mourinho. Ou com a locomotiva criativa do Incrível Hulk. Não se pode naturalizá-lo?
O FC Porto e o Real Madrid poderão fazer este ano uma campanha europeia de grande nível. Porque ambas as equipas, mais do que o Barcelona ou do que o Benfica (para não falar de um despedaçado Sporting, que procura a sua identidade, e de um promissor Braga, que busca a consistência internacional), criaram um espírito coeso montado num ataque agressivo e arrastado por um líder: Ronaldo (ao lado de Özil) e Hulk (com Falcão). Mourinho e Villas-Boas não treinam hoje equipas num pico de forma, mas sim de reforma da estratégia de jogo e de mobilização coletiva clara e recompensadora. Numa palavra: há liderança. No banco. E no balneário.
Os “quatro secos” de Ronaldo no fim-de-semana confirmam o regresso depois de um ano de “pousio”, agravado por lesões. Temeu-se que o Ronaldo português repetisse a combustão rápida do Ronaldo brasileiro, que extinguiu o génio depois de meia dúzia de épocas. Nada disso. Porque o “nosso” Ronaldo tem não apenas bons pés, tem boa cabeça e uma competitividade que o faz superar-se.
Hulk não parece ter essa obstinação. Mas está a mostrar as qualidades que fazem de um jogador um ídolo em formação. Este ano, temos apenas Ronaldo na disputa pela Bola de Ouro. Para o ano, teremos também Hulk?
É possível, mesmo que o jogador mude entretanto de país. E já que perdemos a virgindade com Deco, Pepe e Liedson, bem podíamos propor a Hulk que mudasse também de passaporte – e jogasse na Seleção Nacional.
O que é que isto tem a ver com o Orçamento do Estado? Nada. No tempo da falta de pão, é melhor olhar para o circo. Felizmente, este circo é de grande qualidade.
