Opinião

António Oliveira Senador da Fundação do Futebol

Ideias sobre o clássico

Adicione como fonte preferencial no Google

1 - O FC Porto venceu o Benfica com um golo mesmo no fim. Premiou a persistência e crença dos dragões, que nunca desistiram e tiveram uma segunda parte inspirada. Já as águias apresentaram-se bem organizadas no primeiro tempo, tendo dois lances que podiam ter sido mortíferos, mas, à medida que os minutos foram passando, com o visível desgaste físico à mistura, sentiram-se confortáveis com a ideia do empate e foram penalizadas.

2 – Ficou a ideia que ambas as equipas estão a crescer e podem render muito mais. Além disso, sobretudo na primeira parte, notou-se grande equilíbrio de forças entre os dois conjuntos. No segundo tempo, o FC Porto foi melhor, controlou quase sempre as operações e chegou à vitória. Resta saber, bem mais lá para a frente, se este resultado será importante para as contas finais.

3 – Casillas mostrou que é um guarda-redes que vale pontos. As qualidades do espanhol vieram ao de cima. Impediu duas jogadas de golo do Benfica, serenou a defesa e além disso evidenciou como a sua experiência e liderança podem ajudar a equipa portista.

4 – Nélson Semedo realizou uma excelente exibição. No jogo em que enfrentou o seu antecessor na lateral direita, o Benfica não sentiu a falta de Maxi Pereira. Passou o teste na primeira grande prova de fogo com um bom desempenho e qualidade no processo defensivo, onde conseguiu neutralizar grande parte das incursões de Brahimi. Superou a concorrência interna (Sílvio e André Almeida) e já estará nos apontamentos do selecionador.

5 – Maxi Pereira é aquele tipo de jogador viril que se ama ou se odeia. Agora do outro lado da barricada, passa a ser visto de forma diferente por portistas e benfiquistas. Mas continua a ser um bom profissional que se entrega aos lances com máxima intensidade, e isso esteve em evidência no clássico. Por vezes é certo que joga no limite. Mas não pode ser por ter mudado de camisola que agora venham pedir outro tipo de tratamento dos árbitros para o jogador.

6 – Gonçalo Guedes completou a jovem faixa direita que o Benfica apresentou no Dragão e não comprometeu. Numa equipa em que a principal fonte de criatividade é Nico Gaitán, o avançado português provou que também pode ser um elemento com soluções para a equipa. Precisa de jogar para crescer e está a ter esse espaço.

7 – Perante a concorrência milionário no plantel portista, André André tem trazido dinâmica ao meio-campo do FC Porto e está a conquistar um lugar. Chega ao clube do coração numa idade madura, com a experiência necessária para estar à altura do desafio. Visão de jogo, qualidade de passe, inteligência e boas investidas no ataque são qualidades de quem sabe também pressionar o adversário, recuperar a bola e aparecer a finalizar. Foi o melhor em campo.

8 – A manter-se a distância de 4 pontos para os rivais até ao Benfica-Sporting do próximo mês, Rui Vitória terá um ‘match point’ para superar e evitar que a distância aumente. Até lá, muito se pode passar, mas o regresso de Jorge Jesus à Luz terá emoções fortes.

9 – Em busca da vitória, Julen Lopetegui trocou de ponta-de-lança em vez de acrescentar mais um homem à linha da frente. O público contestou, mas o tempo deu-lhe razão. Frente a um Benfica que estava já com quatro médios em campo, tirar um elemento do meio para aumentar a linha avançada poderia tirar o equilíbrio à equipa e até resultar num ascendente do adversário. Nem sempre se pode fazer a vontade às bancadas. Naquele caso, o chamado ‘chuveirinho’ não era a melhor solução.

O craque -- Avançado em ascensão

Com apenas 18 anos, Diogo Jota começa a ganhar espaço na equipa do Paços de Ferreira e os olheiros dos principais clubes europeus já espreitam as exibições e o potencial deste jovem lançado por Paulo Fonseca que na época passada apontou 4 golos em 12 jogos. Um avançado móvel, veloz e com sentido de baliza e muito talento. Trata-se de um jovem com imensa margem para crescer e que poderá ter esta temporada, onde já foi titular em 4 partidas e apontou 1 golo, a oportunidade de brilhar.

A jogada -- Registo impressionante

Ver um jogador marcar 5 golos num só jogo é um feito impressionante e uma raridade. Que estes 5 tentos tenham sido conseguidos num mero intervalo de 9 minutos torna a coisa extraordinária. Nem Messi (que o fez em 59 minutos) e Cristiano Ronaldo (60 minutos) se aproximaram alguma vez deste recorde. Robert Lewandowski, avançado do Bayern Munique, fez história no futebol mundial num jogo em que até começou no banco. Dificilmente alguém conseguirá repetir ou superar esta façanha do internacional polaco.

A dúvida -- Para refletir no futuro

O futebol viveu uma semana negra no que respeita a lesões graves. Em Portugal e lá fora. Por cá, Riquicho (Sporting) e André Silva (FC Porto) foram as vítimas. Mas a lista estende-se a Luke Shaw (Manchester United), Rafinha (Barcelona) ou Ezequiel Ham (Argentino Juniors), entre outros. Pernas partidas, rotura de ligamentos, entorses… lesões graves que se lamentam. Estes casos trazem à discussão o seguinte: quem comete estas faltas, algumas delas grosseiras, deve ou não ser penalizado com um castigo equivalente ao período de recuperação do adversário?

Deixe o seu comentário
Assinatura Digital Record Premium

Para si, toda a
informação exclusiva
sempre acessível

A primeira página do Record e o acesso ao ePaper do jornal.

Aceder

Pub

Publicidade