Impasses na FPF
Nas entrevistas de despedida do cargo de presidente da FPF, Gilberto Madaíl assume polémicas. Algumas bondosas – as que já não podem ter reflexos futuros na vida da seleção portuguesa –, como a que o opôs a um egodeslumbrado Carlos Queiroz. Outras perigosas e que o contraindicam para qualquer cargo, mesmo honorário.
Criticar Paulo Bento devido às declarações do selecionador relativas a Bosingwa e a Ricardo Carvalho é continuar a não perceber nada de futebol depois de ter vivido nele e dele durante dezasseis anos. O que quereria Madaíl que Paulo Bento dissesse de dois jogadores depois de estes quebrarem os elos mínimos de estabilidade do seu grupo de trabalho? Que poderiam voltar à Seleção? Que os receberia de braços abertos?
Um treinador tem de ser um diplomata, certo. Mas, por vezes, terá de assumir guerras para manter o comando e a estabilidade do grupo que lidera. Paulo Bento fez muito bem quando baniu os dois ex-internacionais para o estatuto de “espectadores” no próximo europeu.
Madaíl podia ter fugido a esta polémica em vez de a reacender. Bastava-lhe não comentar as palavras de Paulo Bento, ou afirmar o óbvio: o selecionador é soberano na escolha dos jogadores nacionais com que forma a sua equipa. Mas Madaíl não resistiu a um ato de censura que pode ter reflexos futuros.
Aliás, toda a situação da Seleção, a apenas seis meses de um Europeu, não tende a descansar os milhões que desejam o êxito das cores nacionais. Quem da FPF vai ter poderes de tutela sobre a Seleção Nacional? Quem vai presidir à delegação portuguesa no – outra excentricidade – estágio da Polónia seguido de jogos na Ucrânia? Este cargo deve ser exercido de forma quase invisível, entregando todo o protagonismo a selecionador e jogadores.
Tem Humberto Coelho perfil para tal tarefa? Talvez. Tem-no João Pinto? Manifestamente, não. Um caso grave, que aqui acompanharemos.
