Incongruências no Dragão
A UEFA confirmou o que já se suspeitava: tendo em conta o recente castigo da Liga Portuguesa em relação ao processo "Apito Final", resolveu suspender o FC Porto da próxima edição da "Champions". Tudo porque o regulamento da Liga dos Campeões impede, à luz da alínea D do ponto 1.04, a participação de clubes que "tenham estado envolvidos em qualquer actividade relacionada com combinar ou influenciar o desfecho de um jogo, a nível nacional ou internacional".
Já se sabe que os dragões vão recorrer da sentença, procurando evitar uma sanção que, para além dos danos desportivos, terá forte impacto financeiro e que, naturalmente, deixará a imagem do clube bastante afectada a nível internacional.
O mais estranho no meio de tudo isto é constatar a forma incongruente como o FC Porto tem lidado (e continua a lidar) com este processo. Tal como já disse em situações anteriores, não sei se o clube portista tentou ou não subornar árbitros durante a temporada 2003/04. O que sei é que Pinto da Costa, quando soube dos castigos, resolveu que só ele, a título pessoal, iria recorrer. Por outras palavras, ao aceitar a sanção imposta ao clube, os seus responsáveis como que admitiram a culpabilidade. Quem é que não se defende quando é acusado de forma injusta?
Várias figuras ilustres afectas ao clube das Antas manifestaram, de imediato, o desagrado em relação à opção tomada. Como os entendo. Afinal de contas, sempre ouvi dizer que "quem cala... consente".
Para além da estratégia me ter parecido logo criticável, bastava ler os regulamentos da UEFA para perspectivar uma segunda sanção, então por parte da UEFA. E ela aí está. Curioso é saber, agora, que o clube vai recorrer. Não imagino quais os fundamentos que a defesa portista vai apresentar, mas gostava que alguém me explicasse porque razão não os utilizou para tentar anular o castigo interno...
A incongruência portista está a ser o seu maior obstáculo em todo este processo. Pinto da Costa foi, durante muitos anos, um dirigente que nunca deixou ficar mal o seu clube, mas agora, decididamente, tem facilitado. Ou pior: tem deixado que outros o tenham levado a facilitar. Aguardam-se as cenas dos próximos episódios...
