Jackson não é só pontaria

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Jackson não é só pontaria
Jackson não é só pontaria

1O diálogo entre jogador e adeptos pressupõe uma comunicação instantânea de ida e volta, condicionada pelos impulsos passionais de circunstância saídos das bancadas – e sabe-se que as respostas fundamentadas na emoção são muito voláteis em relação ao conceito de fidelidade. Ao contrário do que é habitual, o crédito de Jackson Martínez no FC Porto não se discute. Porque oferece talento, compromisso e eficácia, recebe em troca aplauso imediato e ondas duradouras de compreensão e afeto. O tribunal do Dragão concede-lhe o raro direito de ficar a dever: o colombiano é de boas contas e paga sempre, às vezes com juros. Mesmo quando a arma encrava e a pontaria se danifica por motivos inexplicáveis, nunca deixou ficar mal quem nele confiou como um dos mais extraordinários futebolistas azuis e brancos das últimas três décadas.

2 Jackson serve para todas as realidades mas é perfeito para as maiores potências, aquelas que se unem à volta da bola, adiantam as linhas e se instalam no meio campo adversário. Participa e é útil em campo aberto e longe do objetivo final que é a baliza, mas é nas imediações da grande área que desperta todos os sentidos e puxa do arsenal imenso que o torna num atirador assombroso. Mesmo quando alimenta as conversas que antecedem o toque final, só tem olhos para a baliza – é eterna a procura pelo espaço e pelo momento de executar o disparo que leva ao golo. Tudo nele serve para esconder aquilo que, afinal, melhor o caracteriza: é um predador quase infalível.

3 Sendo muito mais do que um futebolista com pontaria, Jackson tem o instinto assassino dos grandes goleadores. É um cavalheiro de alta estirpe mas também um pragmático sem escrúpulos no cumprimento da missão; estimula o ar ausente e a imagem inofensiva de homem gentil e bem-educado, mas assegura, em qualquer circunstância, a natureza de um soldado de elite que só rende tributo ao golo e à vitória. Nada lhe falta para ser um dos melhores pontas-de-lança da atualidade: personalidade, astúcia, coragem, técnica em velocidade e articulação motora; velocidade, travagem e aceleração; inteligência, olfato, elegância, agilidade, acrobacia, simplicidade e precisão. E tem ainda carisma para seduzir toda a gente, incluindo o guarda-redes de quem acabará por ser o carrasco.

4 Estranho não é o FC Porto ter um dos melhores avançados do Mundo – já teve Fernando Gomes, Madjer, Kostadinov, Jardel, Falcão, Hulk... Agora que fazer a diferença é um dom raro e a observação intensiva dá a conhecer talentos escondidos nos lugares mais recônditos do planeta, estranho é o Mundo alhear-se de um jogador que mostra, há mais de dois anos e à vista desarmada, potencial que faz dele um os dez melhores atacantes do futebol atual. O Liverpool pensa nele como reforço de inverno? Incrível foi como, no verão, preferiu a roleta russa de um Balotelli desequilibrado, sem reparar que, no Dragão, estava o substituto ideal de Luis Suárez. Aos 28 anos, os mesmos de Enzo Pérez, é justo que Cha Cha Cha lute pelo contrato de uma vida. O FC Porto está pressionado para tomar decisão delicada: manter o capitão ou fazer um negócio milionário.

Destino de Rafa é o topo mundial

Há jogadores cuja viagem para o topo tem paragem intermédia obrigatória a meio do caminho...

Rafa não vive apenas momento especial; o que está a jogar é muito mais do que o estado de graça parcial, com repercussões positivas numa equipa a jogar cada vez mais e melhor – o Sp. Braga de Sérgio Conceição. Aos 21 anos, está a depurar o talento desequilibrante e sempre presente, bem integrado no coletivo, mas que ultrapassa, ele próprio, dificuldades que nem todos juntos conseguem resolver. Quando saiu do Feirense leram-lhe a sentença: tinha como destino o topo mundial. Sendo já um grande palco, Braga é etapa transitória para salas mais luxuosas.

Slim e Montero são compatíveis?

São habituais as conclusões definitivas em função de dados obtidos num determinado contexto...

Slimani e Montero podem jogar juntos? É evidente que sim. Mas deverão atuar sempre, de início, como elemento estratégico prioritário dos princípios da equipa? É evidente que não. Juntos têm argumentos para intimidar em partidas de sentido único, nas quais a equipa se instale no meio campo contrário e ataque a hora e meia, à semelhança do que sucedeu com o V. Setúbal; ou em fases de jogos nos quais, por urgência, seja preciso atacar muito e num curto lapso temporal. Nem sempre os números sustentam o que parece lógico: se cada um vale 10 golos, não significa que, juntos, façam 20.

Alemão de ouro nem no Brasil’14

É misteriosa a insistência na defesa de que a Bola de Ouro deve ser ganha por um alemão...

Platini já era presidente da UEFA há quatro anos e não se chocou com a coroação de Messi, contra o senso comum que aconselhava Xavi ou Iniesta como vencedores – ganharam o mesmo que La Pulga no Barça e ainda foram campeões do Mundo. O presidente da UEFA está preocupado com a possível terceira conquista de Cristiano Ronaldo e pretende, à força, que seja um alemão a vencer. Platini segue uma lógica sem qualquer fundamento. Se nem no universo restrito do palco brasileiro a vitória individual foi de um alemão, por que havia o Mundo de dar-lhes o ouro que nenhum deles merece?

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