Jesualdo não aprende
Tendo em conta o passeio efectuado nas primeiras ronda da Liga, ganhando pontos sucessivos a adversários que na temporada passada conseguiram “sacar” algo aos campeões, não estava nas previsões de ninguém ver o FC Porto afastado logo na sua estreia na Taça inventada por Hermínio Loureiro. Ainda por cima, do lado contrário estava um clube com pouca tradição. O Fátima, recorde-se, nunca alinhou no principal escalão e cumpre, esta época, a primeira experiência no segundo nível.
Mas, aquilo que muitos apelidavam de milagre aconteceu mesmo. Depois de aguentar o nulo durante o tempo regulamentar, os locais foram mais felizes nas grandes penalidades e seguiram em frente, alcançando o maior feito do seu historial.
Para o FC Porto o dia não foi, efectivamente, famoso, embora também não faça sentido lançar grande discussão em torno do sucedido. Esta nova competição, sendo oficial, não tem muito significado desportivo. Excepção feita ao prémio monetário – que até é interessante, pois estamos a falar de qualquer coisa como meio milhão de euros – e ao prazer próprio de vencer, arrebatar esta prova não representa mais nada, pois não permite ao vencedor aceder a algo. Bem vistas as coisas, existem por aí vários torneios internacionais em que o prémio de presença é mais aliciante.
Defendo que a Taça da Liga, no futuro, terá de valer um lugar na Taça UEFA da temporada seguinte. Só assim, mesmo que as equipas optem sempre por fazer alterações nos seus “onzes” habituais, existirá um interesse verdadeiro em torno da competição. Com esse incentivo lógico até deixará de fazer sentido obrigar os clubes a ter de inscrever em cada jogo um mínimo de cinco jogadores que tenham estado na partida oficial anterior.
Mantendo tudo na mesma, o que esteve prestes a suceder desta vez (a eliminação dos três grandes logo de entrada) poderá ser uma realidade, o que será suficiente para “matar” a prova. Aliás, gostava de saber quem estaria preocupado com esta competição caso, na Amadora, ninguém se tivesse lembrado de inventar uma grande penalidade para safar o Benfica e, em Guimarães, Luciano não tivesse acertado na trave quando o Vitória estava a uma penalidade certeira de seguir em frente?
No meio de tudo isto, surpreende-me que Jesualdo Ferreira tivesse surgido tão envergonhado no final do desafio em Fátima. Será que ainda não aprendeu? Sempre que desvaloriza os adversários tido como pequenos e procede a profundas alterações na sua equipa acaba “chamuscado”. Não basta dizer aos atletas para recordar os deslizes anteriores. Também convém lembrar-se das razões (entenda-se opções tomadas) que potenciaram esses tropeções.
PS – Gostei de ver Duarte Gomes a assumir o erro na Reboleira. Que nunca lhe falte essa coragem. É um exemplo que deve ser seguido por todos os seus pares depois de desvirtuarem a verdade desportiva.
