Jogos de bastidores
Quando foi convidado para dirigir a Liga, Luís Duque sabia que "só" tinha de limpar a casa, depois do caos que marcaram os últimos tempos da gestão de Mário Figueiredo. De resto, ainda antes de entrar em funções, o antigo dirigente leonino já tinha a certeza de que o seu tempo à frente do organismo estava limitado.
Contudo, pelo que se foi percebendo, parece que o trabalho de Duque superou as expectativas mais otimistas. Os patrocinadores – mesmo que não tenham sido encontrados por si – apareceram, a credibilidade foi recuperada e a maioria dos clubes deixaram as rivalidades de lado para tratarem de encontrar soluções que ajudassem à viabilização de um negócio que é de todos. No meio deste cenário ganhou forma a ideia de que Duque, afinal, até poderia continuar em funções após o termo da sua "comissão de serviço". Segundo declarou ontem António Salvador, presidente do Sp. Braga, "na última assembleia geral, realizada em Santa Maria da Feira, foi dado um voto de confiança a Luís Duque, com um pedido para ele se recandidatar, em que todos os clubes, sem exceção, votaram a favor".
Ora, face a isto, o mesmo António Salvador diz-se admirado por alguns clubes terem mudado de opinião repentinamente e apareçam agora a apoiar a candidatura de Pedro Proença. Mesmo dando de barato que as coisas se passaram exatamente como o líder arsenalista diz, não entendo como é que ficou surpreendido. Mais que não seja porque, claro está, qualquer emblema tem legitimidade para mudar de opinião. Mas, tendo em conta o historial da Liga, o que nunca faltou no seio do organismo foram mudanças táticas de um lado para outro. Salvador, com toda a certeza, deve ter testemunhado muitas...
O futebol português – à imagem do que se passa lá fora, inclusive ao mais alto nível, na FIFA – sempre foi fértil em jogadas de bastidores e em situações, no mínimo, curiosas. Aqui, mesmo que possa parecer estranho, até clubes que defendiam o regresso ao sorteio dos árbitros conseguem, dias depois, apoiar a candidatura de Pedro Proença à Liga. Sim, esse mesmo, o que era árbitro até há bem pouco e, como todos os restantes elementos do sector, era contra o sorteio.
